30 abril 2012

A guardar




...porque nos esquecemos muitas vezes que isto, sim, é que são problemas.

in "Jornal Público 29/04/2012"




Chocante. Violento. Triste.

23 abril 2012

Conversas com ele

À saída de uma festa de anos:
- Mãe anda, vamos para casa que estou cheio de fome.
- Então mas acabaste de sair de uma festa onde havia imensa comida e tens fome?
- Ó Mãe que queres... a minha barriga está histérica!

13 abril 2012

Se eu fosse...

uma árvore

“Recordo aquele acordo / Bem claro e assumido / Eu trepava um eucalipto / E tu tiravas o vestido”

30 março 2012

Olha

Tem cuidado com o que desejas,
com os sonhos que inventas à noite, quando não consegues adormecer.
Tudo o que se torna real
chega mais forte, mais intenso, mais perigoso,
do que nos melhores momentos da tua imaginação.

Capaz até de tornar as ideias difusas, de desfocar a razão.
Cuidado com o que queres, porque pode ser teu.
Cuidado com tudo o que te vem parar as mãos.
Muito cuidado. A vida surpreende-te mesmo.

Convém estares, real e imaginariamente, preparado para ela.

20 março 2012

Coisas da primavera





As primeiras recordações felizes que tenho de Lisboa chegam-me da primavera. Destes cheiros mais aromáticos que transformam a cidade e da forma mais saltitante que vejo na pressa do movimento das pernas das pessoas que enchem ruas e outros lugares.
As minhas primeiras primaveras por aqui fizeram-se de descobertas: ultrapassados os meses da chegada, os percursos repetidos nos meses de outono e inverno eram já conhecidos e sem segredos, fazendo-se praticamente de três ou quatro destinos, entre casa e a universidade, entre a universidade e alguns centros comerciais, entre o supermercado da esquina e o regresso ao ponto de partida.

Agora, quando ficou o sol, quando os amigos que se mantém até hoje já eram, naquele tempo, isso mesmo, amigos, quando a cidade ganhava um brilho e uma segurança de estarmos no nosso lugar, havia que alterar rotinas e buscar novidades, deixar que o espaço nos envolvesse e nos desafiasse, permitindo concretizar alguns projetos e estender os dias à proporção da luz.
Lembro, particularmente, as caminhadas em grupo para lanches que se prolongavam, em mesas cheias de rostos e de conversas. Terminavam, invariavelmente, em bancos de jardim onde nos sentávamos desafiando mais a falta de horas do que a falta de assunto.

Naquele tempo os nossos dias eram mesmo assim: sem relógio, sem afazeres intermináveis ou inadiáveis e estudar complementava o tempo sem o roubar. As nossas vidas eram, ainda, séries de acontecimentos imprevisíveis mas todos fantásticos, onde os episódios para a frente eram ainda muito mais do que os que estavam para trás. As ideias pareciam imutáveis e ilimitadas e todos, e cada um de nós, se via invencível e insuperável.

Com os anos, eu e todos os outros ganhámos idade e (alguma) consciência, perdemos certos limites mas lucrámos com saber, trocámos verdades absolutas por conquistas impossíveis de roubar. Tornámo-nos adultos sem o admitirmos e cortámos pedaços do nosso tempo para neles colocar responsabilidades.

Mas a primavera volta, ano a ano. Numa espécie de oportunidade anual para nos renovarmos com a natureza. Numa montra de descobertas e de criações. Num ciclo de vida que leva e traz momentos, verdades e até pessoas. E é nesse reciclar do tempo que se ganham possibilidades, numa tentativa permanente de ainda sermos jovens estudantes que olham, pela primeira vez, a cidade, sugando os dias à medida do sol. À medida do melhor das nossas vontades. 


Ilustração - Catalina Estrada

16 março 2012

20 fevereiro 2012

Fichas de Leitura










Autor - Haruki Murakami
Ano de edição - 2011
Leitura em - Janeiro/Fevereiro 2012








Comecei 2012 tal e qual como havia iniciado 2011: com Murakami. Ao terceiro livro que leio do autor japonês, vejo-me inteiramente rendida e ansiosa pelos dois volumes que faltam neste 1Q84.
O livro avisa desde logo, na contracapa, "não se deixe iludir pelas aparências" e é mesmo isso que vamos perscrutando em cada página, em cada capítulo, em cada personagem. Sempre à espera de sermos surpreendidos, de a qualquer momento a realidade ser mais irreal do que a imaginação.
As histórias paralelas que se intervalam entre capítulos, aguardam sempre por cruzamentos ou entroncamentos. E nós, meros espetadores, leitores nervosos ou curiosos, começamos a antever histórias que ainda não chegaram e a lançar hipóteses para o desenlace. Mas ele ainda tarda.




"Mas, se reescrevesse o passado, é óbvio que o presente também mudaria. Aquilo a que chamamos presente resulta de uma acumulação do passado."


"Tudo o que ocorrer a partir de agora é território desconhecido para toda e qualquer pessoa. Não há mapas. Só descobriremos o que nos espera atrás de cada esquina quando a dobrarmos."


"Mas, à sua maneira, os sentimentos puros e genuínos são perigosos. Não é fácil para um ser humano de carne e osso continuar a viver com tais sentimentos. É por isso que se torna necessário prender os teus à terra... com firmeza, como se prendesses uma âncora a um balão."