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26 dezembro 2010

Z de zero



Z de zero. Zero palavras em pânico nas páginas em branco. Zero ideias perdidas enquanto o cursor pisca-pisca...

Z de zizezagues permanentes no pensamento para zarpar daqui.
Z de zelo. De cuidar o melhor que há para valer tudo o resto.
Z de zaragata entre sim e nim, entre mim e plim, entre zás e trás.

Z dentro da zanga, de gente zangada, do mundo zangão. 
Z de zanzar, dali para acolá, de lá para cá, de antes para agora, de depois para nunca mais.

Um z zonzo feito de zumbidos teimosos de coisas que não vão embora. Um zunzum em voltas permanentes que deixam o corpo à toa. Um z grande a desenhar curvas nas zonas mais seguras da memória.


Z de eu e o blogue em estado zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz

27 outubro 2010

I de inércia




I de inércia, de incapacidade intensa para qualquer movimento.
I de incurável, de indefesa, de indisponível para aceitar ideias, imagens, intentos da imaginação.
I de imensa indefinição. I de indeclarável imobilidade, um estar sem nenhum ir, um impasse insensível e indisfarçável.

I de imerso sem impulso, de indiferente sem impacto, de imediato sem acto, de intenção sem acção.

I de "como é incrível ignorar", de "como é inadmissível aceitar".
I de iman atraindo um indesejável destino.

I sem um resto de ideal. I de tudo ilimitadamente igual.
Qual idiota numa imensa ilusão!

I de impenetrável.
I de idem.
I de isso.




06 setembro 2010

N de neura


N de neura. De nada, nem ninguém, levará de mim tal mal.
N de novas nuvens a nublar o nosso céu. N de nuvens negras que nunca pensei ter a escurecer o meu.

N de "não há novidades?", de "notas alguma coisa diferente?", de "nada muda ou nada fica?".

N de nenhuma coisa para lembrar. N de nós para atar ou desatar. N de nunca mais haverá razões para...
N de não e de nim. N de noção. N de negação. N que falta na palavra irritação.
N de noite, de negro, de neblina, de nefasto. N de "nunca mais?", de "nem penses!", de "nem tentes", de "nem-sei-que-diga".

N de nenhum problema ou de nenhuma solução. N de nenhures, de neutro, de nervos. Também de ninho e de novelo...
N de um nome. N de um nada. N "à nora" ou "fora da norma", "sem norte" ou "nem demora".

N de nunca mais. N de nem vale a pena.





Ilustração - Tana Powell

14 agosto 2009

F de férias




F de férias. De filho bronzeado feito croquete no areal.
F de família. De festa a três resguardados na tenda, num hotel de tantas estrelas quantas as que tem o céu do litoral alentejano ao começar Agosto.
F de "falta muito?", de "faz frio" à noite, de "faz calor" ao acordar, de "faz vento" na praia e "faz tantas ondas" no mar.
F que também é de fazer castelos na areia ou de fazer castelos no ar.
F de folhas, de muitas juntas cosidas ou coladas, com uma capa e muitas letras dentro. F que não é de livros, nem de vícios, nem de toalha estendida, nem de passeio seja ele qual fôr. F que não é de mergulho na piscina, nem de bola de berlim, nem de vespas, abelhas, moscas ou mosquitos. F que nem de sol é. Mas que é de tanta coisa quando tudo isto se junta nuns dias felizes.
F de fechos: da rua para a sala, da sala para o quarto, do quarto para dentro do saco-cama. F de fechos e daquele barulho esquisito que eles fazem ao deslizar.
F de fotografias. De fotografar lugares, de fixar instantes, de focar expressões.
F da felicidade que não falta quando se fazem férias e as férias nos fazem bem.
F de fim. F de fechar. F de ficar.


Ilustração - Marie Desbons