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13 outubro 2014

Equilíbrio

Por um lado,
chovia torrencialmente quando o despertador tocou e o escuro que vi na janela sabia mesmo a segunda-feira. O carro estava estacionado no fim da rua, as mochilas pesadas e não havia mãos nem braços para chapéus de chuva, casacos e o filho arrastado para o carro, para a escola, para o começar da semana. O dia foi lento, cinzento, quebrado, calado. Havia trânsito no regresso a casa. Uma hora e meia de um caminho de vinte minutos.

Por outro lado,
acabei de tirar um bolo quentinho, redondo e doce do forno. A casa cheira a lar, está cheia e tranquila. Partilham-se segredos ao ouvido. O Tiago no sofá pede-me para ler um livro novo. Voltam as mantas para os joelhos, as pantufas nos pés e desdobram-se os abraços antes de adormecer.

11 dezembro 2013

Equilíbrio

Por um lado,
deito o Tiago às 10h20 e lemos na cama dele, uma página a cada um, duas para mim e meia para ele, conforme o cansaço da minha voz ou o peso das pálpebras dele. Lemos dois livros, quando segundo os padrões dele são "pequenos". Lemos 3 ou 4 capítulos de livros maiores, já de gente mais crescida, que deixamos guardado com um marcador para o dia seguinte. Uma rotina diária desde que ele era bebé e queria todas as noites a mesma história do "Boa noite, Ursinho". Agora, na noite de hoje, ficou roído de curiosidade - e ousou mesmo folhear umas páginas de olhar excitado - para saber se o Charlie da Fábrica de Chocolate consegue um bilhete dourado, ou não, para ir conhecer o Willie Wonka.

Por outro lado,
deito-me eu lá para as 11h40 e leio na minha cama, os meus livros. Dois ou três capítulos quando gelam os braços e as pontas dos dedos; oito, nove ou dez, nos dias de menos sono, de menos frio, de um melhor livro ou de um maior vício. Leio livros grandes, os que mais adoro. Leio livros pequenos que guardo durante meses à espera de uma oportunidade. Leio livros bons, dos que deixam saudades. Leio livros "mais-ou-menos", que fluem apressadamente, aspirando o próximo. Agora, na hora de ir deitar, estou como o Tiago adormeceu hoje: roída de curiosidade para saber o que andam a fazer os "homenzinhos" do Millás.


27 novembro 2013

Equilíbrio

Por um lado, 
num puro ato do acaso ou do azar, deixei cair o telemóvel na casa-de-banho, onde numa pirueta acrobática mergulhou num resto de água que descia do bidé para o cano do esgoto. Sim. Morreu. E era o objetozinho-dos-meus-olhos-e-do-meu coração!

Por outro lado, 
hoje tive – até ao momento – 852 visitas a estes refúgios, onde a felicidade está, fica, se guarda e se renova, onde cada um a vê.