06 setembro 2007

Adaptação

Quando o nosso filho chora porque não quer sair do Colégio no primeiro dia em que vai e, ainda por cima, esteve lá só uma curta manhã, para se adaptar, isto quer dizer o quê? E agora, quem me adapta a mim?

18 agosto 2007

Voltar Ficar

O sabor do regresso. A vontade de sentir a minha rotina de volta. Gostar dela. Senti-la quase completa. Quase perfeita. Desconfiar disto. Da rotina. Do gostar. Até do sentir ou de qualquer tipo de pensar. Querer mesmo voltar. Querer outras coisas de volta. Aquelas que não virão nunca. Agradecer. Desconfiar.
Lembrar o ir.
Querer mesmo voltar.
E Ficar.


01 agosto 2007

Ir

Sentir o tempo. IR. Mudar de lugar. Acreditar. Desconhecer as horas. Estar bem. Estar com eles. Com quase todos. Com os que importam. Desconhecer o resto. Não querer saber. Esquecer. Ignorar. Ter saudades. Sofrer de saudades. Acreditar sempre. IR. Saber bem VOLTAR. Guardar momentos. Fazer os momentos. Acreditar nos momentos. IR e depois VOLTAR. De férias. Estar de férias. Sentir as férias. Sentir-me bem.

Até já.

26 julho 2007

2



Nós 2 fazemos um momento nosso. Os 2 dos abraços, com 2 braços cada um. Os 2 dos olhares com 2 olhos para cada olhar.
Os 2 dos corações. Um só, em cada peito, a bater, sem parar.
Nós 2 fazemos uma história simples. Aquela que tem 2 pessoas que num dia ou 2 se conheceram e se entenderam, fizeram de 2 vidas uma coisa comum.
Nós 2 fazemos um par. Tu tens os olhos amendoados e vivos, o cabelo em desalinho e quase 2 anos de vida para contar. Eu tenho 2 ou mais sinais parecidos contigo e vários anos, 2 a 2, de dias para lembrar.
Dizem de nós 2 que estamos unidos para sempre. Porque saíste de dentro da minha barriga e és parte da pele da minha pele. Mas eu acho que estamos unidos por outras coisas também: por 2 nomes bonitos, como "Mãe" e "Filho"; por 2 sentimentos entre tantos conjuntos de 2; por 2 histórias vezes muitos outros 2.

2 anos depois, a felicidade já não vive dentro da minha barriga. Saiu dela para se refugir em toda a parte.

04 julho 2007

Um dia



Um dia, quando o Tigy for um rapaz crescido, irei explicar-lhe porque é que a mamã é assim, porque reclama tempo para si, calada, sossegada, de olhos humedecidos e o corpo contorcido. É que a mamã ainda não é uma menina crescida e, às vezes, sente-se mais pequenina que o Tigy que ainda diz poucas palavras e viveu tão poucos dias. Há mesmo dias em que a mamã não se sente nada "Mãe" e pede muitas desculpas baixinho ao seu bebé, por não ser capaz, por não ser mesmo capaz... Então o Tigy vai saber que há dias em que perdemos muitos anos dentro de nós, em que reclamamos tempo e mãos a deslizar no cabelo, em que queremos o mundo abraçado a nós... Dias em que as coisas pequenas, como um brigadeiro de chocolate, nos fazem perceber coisas grandes como a amizade. E sei que esse dia vai valer tanto como muitos outros, aqueles em que me sinto crescida, inteiramente "Mãe", inteiramente feliz.

16 junho 2007

Eu no meu mundo


Enquanto as palavras decidem escrever-se a si mesmas. Enquanto os meus dedos primem as teclas erradas. E enquanto dura esta inconstância entre as ideias e a verdade... Ficam frases acabadas ao primeiro impulso... ou talvez ao segundo.


Eu quero... acreditar.

Eu tenho... objectivos.

Eu acho... que sou capaz.

Eu odeio... vacilar.

Eu sinto... medo.

Eu escuto... o silêncio.

Eu cheiro... a pele.

Eu imploro... tempo.

Eu arrependo-me... de momentos.

Eu amo... as minhas pessoas.

Eu sinto dor... e choro.

Eu sinto falta... e sofro.

Eu importo-me... quando falho.

Eu sempre... fui assim.

Eu não fico feliz... só por ficar.

Eu acredito... que nada acontece por acaso.

Eu danço... abraçada.

Eu canto... mal.

Eu choro... muito.

Eu falho... constantemente.

Eu luto... incessantemente.

Eu escrevo... cada vez menos.

Eu ganho... alguns sorrisos.

Eu perco... outros tantos.

Eu nunca digo... que é fácil.

Eu estou... tranquila.

Eu sou... frágil.

Eu fico feliz... com as pequenas coisas da vida.

Eu tenho esperança... que algumas coisas ainda sejam para sempre.

Eu preciso... de viver os meus segredos.

Eu deveria... revelar-me diariamente.

06 maio 2007

Poema à Mãe

No mais fundo de ti
Eu sei que te traí, mãe.
Tudo porque já não sou

O menino adormecido

No fundo dos teus olhos.
Tudo porque ignoras

Que há leitos onde o frio não se demora

E noites rumorosas de águas matinais.
Por isso, às vezes, as palavras que te digo

São duras, mãe,

E o nosso amor é infeliz.
Tudo porque perdi as rosas brancas

Que apertava junto ao coração

No retrato da moldura.

Se soubesses como ainda amo as rosas,

Talvez não enchesses as horas de pesadelos.
Mas tu esqueceste muita coisa;

Esqueceste que as minhas pernas cresceram,

Que todo o meu corpo cresceu,

E até o meu coração

Ficou enorme, mãe!
Olha - queres ouvir-me?

-Às vezes ainda sou o menino

Que adormeceu nos teus olhos;
Ainda aperto contra o coração

Rosas tão brancas

Como as que tens na moldura;
Ainda oiço a tua voz:

Era uma vez uma princesa

No meio do laranjal...
Mas - tu sabes - a noite é enorme,

E todo o meu corpo cresceu.

Eu saí da moldura,

Dei às aves os meus olhos a beber.
Não me esqueci de nada, mãe.

Guardo a tua voz dentro de mim.

E deixo as rosas.

Boa noite. Eu vou com as aves.


(Eugénio de Andrade)

10 abril 2007

10 coisas sobre o Tigy
(que fazem o meu bebé só meu)


1 - Os olhos muito vivos.

2 - O cabelo rebelde.

3 - As mãos gordinhas.

4 - O "qué-qué" a apontar para a televisão.

5 - Os passinhos apressados pela casa.

6 - O cheiro das fraldas, da pomada, do champô, da pele.

7 - Os abraços apertados à volta do meu pescoço.

8 - A massa, o arroz, as bolachas espalhadas pelo chão. E a água do biberão a pingar no tapete.

9 - O modo de dançar, abanando a cabeça e alternando o balanço de uma perna para a outra.

10 - As gargalhadas com tanta vontade.

03 abril 2007

Deixar para depois

«Há 200 anos atrás, Benjamin Franklin partilhou com o mundo o segredo do seu sucesso: "Nunca deixar para amanhã o que se pode fazer hoje" - disse ele. Este é o homem que descobriu a electricidade. Era de esperar que mais gente lhe tivesse dado ouvidos.
Não sei porque adiamos as coisas, mas se tivesse de adivinhar, diria que tem muito a ver com medo. Medo de falhar. Medo de sofrer. Medo de ser rejeitado. Às vezes, é apenas o medo de tomar uma decisão. Porque... e se estivermos enganados? E se cometermos um erro que não podemos desfazer?
Seja lá o que for que tememos, uma coisa é verdade. Quando a dor de não fazer nada se torna pior do que o medo de fazer, parece que carregamos um grande tumor.
Aquele que hesita está perdido. Não podemos fazer de conta que não nos avisaram. Todos ouvimos os ditos, ouvimos os filósofos, ouvimos os nossos avós a falarem do tempo perdido, ouvimos o raio dos poetas a dizerem-nos para vivermos o momento.
Mesmo assim, às vezes, temos de ver por nós mesmos. Temos de cometer os nossos erros. Temos de aprender as nossas lições. Temos de varrer a possibilidade para baixo do tapete do amanhã até não podermos mais. Até que finalmente percebemos o que Benjamin Franklin queria dizer... Que saber é melhor do que especular, que acordar é melhor do que dormir. E que até o maior fracasso, até o pior, o mais crasso dos erros, é melhor do que nunca tentar.»
Anatomia de Grey