O dia mostrou-se sorridente. Cheio de sol e de expectativas. Tal como há um ano atrás... Quando os pais, vestidos de noivos, receberam os mesmo rostos para um momento só deles. Agora, o dia era do Tigy ou dos pais para ele.
Acordou com febre, com birras, com dentes a aparecer, com um sono constante e sem qualquer espécie de vontade de ir para uma festa. Mesmo que fosse a dele.
Chegaram os amigos, a fotógrafa. Vestiu-se o bebé de traje de gala e sandália de Verão. Juntou-se a família para as fotografias, mas o anfitrião não queria flashes, naquele dia. No adro da igreja, aguardavam todos os convidados pelo Tigy enérgico e divertido, de sempre. Mas ele não foi. Durante o baptizado, manteve-se adormecido no colo imperturbável do avô, uma espécie de refúgio como este. Mas onde não são precisas palavras ou desenhos, comentários ou demasiadas explicações. Basta enrolar os braços, embalá-los, suavemente, e deixar ficar...
A água que correu a cabeça e molhou o cabelo desatou o choro, o mesmo que findou com o rezar lento e trauteado do Pai Nosso.
Ficou o Tigy mais acompanhado, parte de uma Igreja que conduz, que une, que concilia, quem quer, quem acredita, quem merece. Talvez!
No palco da festa, distribuíram-se lugares à mesa retratando as salinhas dos infantários. Assim estiveram presentes...

os
macaquinhos, amigos e familiares do papá,
que partilharam a mesa com ele e com a mamã, deixando vago o lugar do Tigy adormecido.

os
gatinhos, onde estavam os bisavós do Tigy, que gostaram tanto de estar no seu baptizado e que gostariam tanto de assistir ao seu casamento.
os
patinhos, amigos da mamã, com quem se partilham tantos anos de convívio,

vendo casamentos e nascimentos, aniversários e outros festejos assim, sempre sem saber como é que o tempo passa tão depressa...

as
ovelhinhas, cujo rebanho era composto por amigos da mamã de tanto passado e com tanto futuro e, especialmente, pela madrinha do Tigy, a minha mana, que delineou a festa comigo ao longo destes últimos meses.

os
pintainhos, o grupo amarelinho das minhas amigas (e seus pares) da casa amarela e da vida em todas as cores.

os
cachorrinhos, ou seja, os avós maternos do Tigy e uns amigos deles que são também nossos. Inabalavelmente.

os
sapinhos, onde estavam os pais do papá e outros familiares, como que sentados à beira de um riacho sossegado.

os
coelhinhos, o grupo de amigos dos meus pais, sempre presentes como supõe a palavra amizade.

e os
ursinhos, as minhas pessoas de sempre, que dizem que sim, que comparecem e que me seguem a vida com alegria. Como eu sigo a delas.
Mesmo com o Tigy sem sorrisos para a fotografia, a festa reuniu quem fazia falta nela, quem seguiu os primeiros meses de vida do meu bebé com carinho e dedicação, aquela que coloquei em cada detalhe, a mesma que senti nas palavras escritas e nos traços desenhados, à mesa, nos envelopes fechados deixados na caixa para o Tigy abrir, um dia mais tarde. Porque junto a cada prato estava um envelope e uma folha de carta para que cada convidado deixasse umas palavras ou uns desenhos para o Tigy. Trouxe a mamã a caixa cheia para casa. Inesperadamente. Agradavelmente.
Antes das despedidas e por entre papel de embrulho rasgado, algumas conversas postas em dia e aquele sabor a pouco que fica nas festas especiais, ficou a lembrança para os convidados. A mamã agradece às meninas talentosas do "
Sei lá de mil cores" pela ajuda!
Passada uma semana, o Tigy está melhor. Afinal, eram dois dentes a nascer, tudo misturado com uma virose esquisita, que lhe cobriu o corpo de borbulhas vermelhas, nos dias seguintes. Houve até um deles em que a mamã ficou em casa com o bebé e em que se sentiu o mesmo cheiro e o mesmo sabor dos meses em que vivíamos assim: os dois, em casa.
Aos presentes, muito muito obrigada!