09 novembro 2008

Palavras dela para coisas minhas

Anda por aí em forma de desafio: pega-se numa imagem nossa, distingue-se um nome da música e respondem-se às 10 perguntas apenas com títulos de canções do grupo/artista escolhido. Depois, já se sabe, lança-se o desafio a quem o quiser agarrar! Mas eu... decidi inovar e acrescentei 3 perguntas às que alguém inventou e, também, uma nota final.

- EU -






- MAFALDA VEIGA -




- RESPOSTAS FEITAS DE PALAVRAS DELA -


1 - És homem ou mulher?

"Procura por mim"

2 - Descreve-te:

"Outro dia que amanhece"


3 - O que as pessoas acham de ti?

"Entre Achados e Perdidos"

4 - Como descreves o teu último relacionamento:

"Nós"

5 - Descreve o estado actual da tua relação com o teu namorado ou pretendente:

"Lado (a lado)"

6 - Onde querias estar agora?

"Antes da Escuridão"

7 - O que pensas a respeito do amor?

"Fragilidade"

8 - Como é a tua vida?

"Escuro e luar"

9 - O que pedirias se pudesses ter só um desejo?

"Um pouco de céu"

10 - Escreve uma frase sábia:

"Por outras palavras"

EXTRA:

11 - Onde fica o passado?

"Ao teu Redor"

12 - A desejar no futuro?

"Uma noite para comemorar"

13 - O que esperar do presente?

"Ficar mais perto"



NOTA FINAL

Uma canção a partilhar



<


Desafio que pula para

Nils

BlueAngel

SombrArredia

Cláudia Pinto

Malu79

24 outubro 2008

De braços abertos

Ele diz "Gosto muito de ti"
e prolonga as vogais enquanto abre os braços.
Então, eu lembro-me de que ali,
entre os braços dele,
cabem todas as razões para viver
e apetece ser pequenina,
tão pequenina,
muito mais pequenina do que ele,
minúscula mesmo,
e fechar-me lá dentro,
junto ao seu peito,
entre os seus braços e os seus beijos,
entre as suas palavras com falta de sílabas e os sorrisos...
os sorrisos.
Assim, pequenina, quase invisível,
protegida entre o melhor de tudo
que é o melhor do mundo,
talvez eu o fizesse feliz.
Quase tanto como ele me faz a mim,
cada vez que repete
"Eu gosto muito da mãe"
e abre os braços,
e abre o sorriso
e me fecha o peito numa dor sem fim.


Ilustração - ZZVe.com

24 setembro 2008

Tem de ser


Eram assim todas as manhãs: a luz do quarto a acender-se, o meu resmungar preguiçoso e a voz dele "Vá tem de ser. E o que tem de ser tem muita força!". Passados estes anos todos, depois de sair de casa e da voz do meu Pai ter sido substituída pelo toque sincopado do telemóvel, ainda é essa frase que sussurro a mim própria, enquanto as pernas se descolam dos lençóis e cada pé procura o seu chinelo.
O "tem de ser", o tal que tem muita força, leva-me para o chuveiro, conduz-me pelo trânsito para chegar ao trabalho, apoia-me nas tarefas mais complicadas, já me empurrou para entrar nuns tantos consultórios médicos e a ultrapassar exames orais e apresentações de trabalhos de curso.
O "tem de ser" é, em alguns dias, uma espécie de nuvem negra e pesada, que acompanha os nossos passos por dias de rotinas. O mesmo "tem de ser" é, noutros dias, uma sombra de nós mesmos, que tanto nos acompanha como nos abriga dos raios mais fortes do sol.

Até posso saber que o "tem de ser" é uma desculpa, é um dar-nos por vencidos, é um completo vazio de motivos e vontades. Contudo, nas manhãs em que o Tigy rebola na sua caminha pequena, com os olhos ainda pesados, a minha frase "Vá filho... Tem de ser!" soa a carinho. Na tentativa que esse carinho se aproxime do tamanho que tinha a frase matinal do meu Pai!

Nos dias que vivo, acordar, andar, conseguir, deitar, é um tem de ser de muitas forças. E a maior de todas está nos olhos deliciosos que vejo abrirem-se todas as manhãs e gritar "É dia?!"

- "Sim, filho, é dia. Temos de acordar... Vá tem de ser".

(Quanto à parte do ter de ser ter muita força... acho que ele tem tempo para perceber mais tarde.)


01 setembro 2008

O melhor de mim


O melhor de mim vem de dentro, de uma felicidade adolescente que trouxe desse tempo para ficar, e viver, comigo. É a felicidade que me faz apaixonada, fã, adepta, conversadora ou conversadeira. Uma menina de sonhos, a fazer valer as certezas, sempre a persistir, a vencer o medo, a usar o coração. De quando em vez, guardo o tempo que dou só para mim, escolho o silêncio, perco-me em balanços. Então desabam as lágrimas, recorro ao mais fundo da memória e, no fim, lembro de como gosto da vida que tenho.
Aquela que me fez por fora ser como sou: me deu o tom dos meus cabelos, os contornos das minhas mãos, os sinais do meu corpo, a forma como a roupa me cobre a pele. A vida que me enche de desejo ou de ciúmes, me tenta vencer pela preguiça mas sai vencida pelas manias que cultivo e pela força que mantenho. Usando da poesia, ouvindo os outros com atenção, sei guardar segredos e estar presente, sei apertar abraços e partilhar beijos. E, enquanto escrevo, transformo-me na melhor amiga de mim própria. Aquela que gosta tanto da forma como eu sou.


05 maio 2008

Mais e menos

Há 8 anos atrás, por dias próximos a este, eu e o Beguinho fomos pela primeira vez ao cinema juntos. Quando nem nos imaginávamos namorados, ainda nem propriamente amigos, muito menos marido e mulher e papás do meu filhote, uma saída de colegas de turma colocou-nos lado a lado frente ao ecrã para ver "Uma vida a dois". Confesso que me lembro pouco do filme mas a cena inicial sei bem como era: no final de mais um dia, a família reunida à mesa assinala os mais e os menos do dia de cada um.
Esta ideia de fazer como que um balanço diário em família ficou-me desse filme para a vida. Aqui por casa, muitas vezes se utiliza esse pretexto para se falar do tempo que passamos longe. Por agora, os mais e os menos de "Uma vida a dois" serviram para falar de uma semana passada em terras do Alto Alentejo com alguns pulinhos a Espanha, numas férias sonhadas e desfrutadas, merecidas e (quase) perfeitas.

Os mais do Beguinho foram Vila Viçosa, Cáceres e o livro que ele comprou em Badajóz. A Beguinha gostou de Juromenha, do Palácio dos Duques de Bragança e dos momentos na casinha que nos acolheu nestas férias. Para o Tigy o melhor de tudo foi mesmo as batatas fritas. Os mais destes dias a três, feitos de uma paisagem imensa, de um silêncio reconciliador, de petiscos saborosos, de castelos e castelos e mais castelos, de ruas estreitas e de estradas sem fim, multiplicam-se em cada foto que se revê ou em cada momento que se lembra.
Quanto aos menos... Bem, esses ficam mesmo para nós.