19 dezembro 2012

20 coisas que eu quero que o meu filho saiba até ao Natal

#8

O Tiago levanta-se de manhã com os meus beijinhos e festinhas no rosto e abre os olhos quando começo a tirar-lhe as calças do pijama, por debaixo do edredão.
Até à hora da saída, sempre a correr para chegar a horas à escola, há banho para tomar, o cabelo para secar, a roupa para vestir, o leite para beber e as bolachas para trincar, num pequeno-almoço apressado a imitar o da Mãe.
Pasmado a olhar para a televisão, o Tiago calça os sapatos, come, procura o casaco e, depois, arrasta-se para o carro. Eu, mesmo atrás dele, enfio-lhe cada manga do casaco em seu braço, carregando-lhe a mochila, o lanche, o saco do judo, a minha mala, o meu almoço, as chaves do carro, da casa, o telemóvel... e, invariavelmente, quando saio do carro junto à escola, reparo que não levei o meu próprio casaco.

Na escola fico a acenar-lhe e a mandar beijinhos, vendo-o subir as escadas em direção à sala, sempre sorridente. E naqueles escassos segundos de volta ao carro já morro de saudades dele.

Ao final do dia, corro do trabalho para a escola, onde o procuro pelo recreio para depois, os dois, encontrarmos a mochila e o casaco que, habitualmente, não estão juntos no mesmo lugar.
No carro ele pergunta coisas do meu dia e eu pergunto coisas do dele, que diariamente incluem ele já não lembrar o que almoçou e eu ter trabalhado muito.
Em casa, quando eu ainda nem pousei a tralha da manhã agora transformada em tralha da tarde, já ele ligou a televisão e se descalçou, atirando o casaco para cima do sofá e pedindo, de imediato, as bolachas do momento.
Até à hora de ir para a cama o Tiago pede o jantar, quer ajuda – ou companhia - com os trabalhos de casa, quer jogar um jogo ou a palavra-passe no computador, quer uma fruta descascada, maçã ou laranja, pera ou banana, e outra logo que eu acabo de me sentar no sofá, quer saber onde está o comando, quer ficar sempre mais 5 minutos depois da hora combinada.

Na cama, por estes dias, quer a botija de água quente junto aos pés e duas histórias lidas e... devagar.

Antes de o deixar deitado, trocamos muitos abraços e deito uns minutos ao seu lado, mas raras são as noites que, antes de dormir, não pede um copinho de água.

Mais tarde, quando o olho tranquilamente adormecido, rodeado de peluches, passa-me frente aos olhos o dia inteiro, em particular todos os raspanetes, insistências, ordens e repetições da mesma frase.
O meu corpo reclama silêncio, sossego, uns minutos apenas.


Amanhã tudo será igual... ou quase.
Se estou cansada? Não. Apenas morro de saudades quando ele não está.

2 comentários:

LR disse...

Como sempre lindo!!! E vejo nas tua palavras um réplica do que se passa cá por casa, todas a manhãs e finais do dia, mas vezes dois. As minhas palavras hoje de manhã para eles, quando os acordei com beijos, beijos e mais beijos: Gosto tanto de vocês que até dói...e dói vê-los crescer tão rapidamente mas, à semelhança do teu, os meus ainda são crianças e vivem como crianças. Bjs. grandes Andreia

Gloria Moutinho disse...

Que delícia!
Gosto muito de a ler. Mas gosto principalmente de como ama o seu filho! Beijinhos grandes ** ♥