13 Junho 2006

Uma história dele
(na terceira pessoa)


Antes dele os grandes sorrisos ou as boas gargalhadas soltavam-se por motivos bem diferentes. Uma piada bem contada, uma surpresa original, uma boa notícia, uma outra aventura. Na verdade, não sei identificar com precisão o momento em que alterei os padrões do meu humor e os condicionalismos da minha vida, mas suponho que tenha alguma coisa a ver com ele.
Ou tudo mesmo.
Agora, as grandes alegrias da minha vida revestem-se de uma simplicidade ternurenta, porque são feitas pelo seu franzir do nariz, pelo gesto perigoso de abrir muito a boca para me tentar morder, pela forma carinhosa como me agarra a mão com a dele ou, somente, por uma pequena história relatada pelas educadoras no fim de mais um dia de creche.
E a história que despoletou tudo isto foi esta:

«Ai mãe ele hoje fez uma coisa engraçadíssima! Já andámos aí a contar a toda a gente... Andava aqui a brincar e, de repente, pega na fralda e toca a gatinhar com ela. Encaminha-se para a cadeirinha dele, trepa por ela acima, pondo primeiro os joelhos e dando depois a volta para sentar o rabinho, pega na fralda e lá está ele, pronto para dormir. Nós ficámos a observar aquilo... ele lá tinha sono e como não o tínhamos ainda deitado... olha deitou-se ele sozinho...»

Imaginar o meu filho, a gatinhar sozinho com a sua fralda, sala fora até à cadeira, preparando-se para dormir, sossegadinho, despertou, em mim, naquele momento, uma sensação sufocante de um amor imenso por aquele ser tão pequenino e, ao mesmo tempo, uma raiva angustiante por estar longe e ausente. Talvez por não ter sido eu a observar a cena caricata, a registá-la com detalhe e a relatá-la, agora, na primeira pessoa.

28 comentários:

BlueAngel disse...

O que importa é que vejas a maior parte do crescimento do teu Tiggy. Haverá sempre momentos que vais ouvir na terceira pessoa, mas tu vais saber aproveitá-los da melhor maneira possível. Mesmo não estando lá... :-)

BlueAngel disse...

Adorei a notinha ali ao lado. E eu confirmo qu tens isso tudo, de facto. :-)

ib... a sentimental ;P disse...

o q partilhas-te connosco, na minha singela opinião, é algo q faz parte do ser mãe e pai...
faz parte de vocês quererem fazer "parte" de todos os momentos da vida do tigy, bons maus, mal cheirosos, vergonhosos, como o velhote das barbas, mas sempre o querer fazer parte.
Saber por outros deve realmente ser como uma facada, mas o importante é que quer seja através do q outros partilham, vocês e mais ninguém vão ser sempre quem partilha o melhor/pior dele, pelos vossos olhos, pelo q o tigy vos contar qd falar, mas também pelo q ele transmite para vocês, ...em cada olhar... em cada toque e em cada nova etapa da vidinha dele, é vocês q ele vai procurar...

é lindo o q estão a viver aproveita tudo tudo tudo lindinha e nunca, mas nunca sintas raiva por estares longe pq no fundo, lá no coraçãozinho dele estás e qd ele souber falar vai puder comprovar isso.

ib disse...

infelizmente há por aí muitos pais q não são como vocês, quem dera a muitas crianças terem pais q vos tivessem como referência

aqui a sentimental tem muito orgulho de ter uma Amigona como Tu

BEIJO GRANDE

Joana disse...

Belo texto; pena o erro - infelizmente cada vez mais comum- no verbo "despoletar". O que querias transmitir era, julgo, desencadear, pelo que o verbo a utilizar seria "espoletar"; despoletar é exactamente o contrário de desencadear.

rutebruno disse...

se ele fez isso é porque dentro dele estavas tu, a sua capacidade de procurar e alcançar os seus objectivos é a prova que dentro dele reina o amor e a segurança.
Só podes mesmo estar feliz pela mãe que és.
bjs

CLS disse...

É o grande dilema das mães q trabalham... O melhor a fazer é aproveitar cada segundo dos momentos juntos, de certeza que surgirão mtas outras histórias para contares na 1ª pessoa.
Bjs

rutebruno disse...

vou fazer um reparo à joana que comentou sobre o erro. Quero lhe dizer que despoletar não é nenhum verbo, pois essa palavra não existe. No que diz respeito, ao termo espoletar, não é sinónimo de desencadear, como ela afirma, mas sim pôr espoleta.
Aqui fica o reparo.
bjs

Joana disse...

Caríssimos Rutebruno,

faço da escrita a minha vida há muito tempo para deixar em claro a correcção que tentam apresentar; deixo apenas um link para desfazer todas as dúvidas.
http://ciberduvidas.sapo.pt/php/resposta.php?id=132

Certamente será o suficiente.

Abraço.

ps:evitem as vírgulas entre o sujeito e o verbo, como aconteceu em "No que diz respeito, ao termo espoletar".

rutebruno disse...

Joana,

Obrigada pelo reparo, gosto sempre de aprender mais. Quanto à palavra despoletar, depois de procurar arduamente, encontrei isto:

1. tirar a espoleta a; tornar impossível o disparo ou a explosão de [sentido original];

2. [sentido figurado] anular algo; travar o desencadeamento de;

3. [sentido figurado] fazer surgir repentinamente; desencadear uma acção [uso generalizado].

(Wikcionário)

"tirar a espoleta, impossibilitando a explosão" (ex.: despoletar uma granada), ii) "anular, travar" (ex.: despoletar um movimento de contestação) e iii) "fazer surgir ou desencadear" (ex.: despoletar comportamentos preventivos).

(dicionário Houaiss)

Embora exista controvérsia, mas a contestação não impede que o uso faça lei.

um abraço.

A ti beguinha, desculpa o abuso.
bjs

rutebruno disse...

esquece o "mas"! lol

Joana disse...

Caríssima RuteBruno,

sempre às ordens; se necessitar de resolver alguma dúvida na área linguistica,esteja à vontade; a minha vida é mesmo essa.E, acredite, até me pagam para isso.

Em relação ao despoletar, temos - todos - a obrigação de primar pela coerência da nossa língua; por isso mesmo, teremos de ser nós a espoletar o bom uso da língua, evitando incongruências. Eu, pela minha parte, faço o que posso.

Abraço.

rutebruno disse...

Joana:
Vou contactá-la se tiver dúvida, (embora não saiba como) e obrigada pela explicação.

Abraço

Jane & Cia disse...

De história em história, de ternura em ternura, heis (será que é assim que se escreve Joana?) a vida que se transforma numa, por ventura, mais doce vida!
Beijinhos ternurentos

docinho disse...

São estas imagens que nos fazem sentir assim este amor imenso não é?
Eu vejo-as, sinto-as e deixo-me rir...

; )

Beijinhos de volta a casa!

Alécia disse...

Boooooooom... Acho extraordinário surgir tanta controvérsia e uma tão acesa discussão sobre os verbos "espoletar" e "despoletar".

Eu venho por este meio juntar mais uma achinha à fogueira.

Ambos os verbos existem e referem-se a um vocabulário de "armeiro", se quisermos. A espoleta é uma peça do mecanismo das armas de fogo que torna possível o disparo. Retirando a espoleta, a arma não funciona; torna-se, portanto, impossível desencadear o disparo. Deste modo, é mais correcto dizer-se espoletar quando se pretende referir o desencadear de uma acção. Despoletar significa, deste modo e obviamente, o contrário de espoletar, ou seja, impedir uma acção de se concretizar. (Como referido pela rutebruno e pela joana.)

No entanto, e como pode ser encontrado no Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia de Ciências de Lisboa, o verbo despoletar encerra em si os dois significados, que são absolutamente antagónicos. Esta foi uma forma, penso eu, mal conseguida de tentar normalizar a língua, contemplando o uso que os falantes consagraram. Já agora, e apenas deixo o seguinte como uma pequena curiosidade, esse dicionário não contém qualquer verbete com o verbo espoletar. Para os autores e equipa de investigadores que nele trabalharam, é como se tal verbo não existisse.

Não considero o referido dicionário uma ferramenta muito fiável no que toca ao conhecimento da língua, até porque contém alguns erros graves (mesmo a nível de critério), mas é uma ferramenta válida e muito em voga. Enfim...

Esta foi só uma pequenina abordagem-clarificação a um tema que, pelo que me parece, já está moribundo...

alécia disse...

Beguinha, peço desculpa pelo abuso e o facto de ter abordado o outro assunto primeiro não quer dizer que o considere mais importante.

Achei adorável a historiazinha do tigy e muito comovedor a tua revvolta por não a teres presenciado. Como mãe, também tens de aprender que eles - os nossos filhos -, vão ganhando autonomia e nem sempre podemos estar com eles no seu percurso pela vida.

Quando o Tigy for para a escola primária, vais perceber que vai entrar num mundo muito próprio, onde há sempre espaço para os pais, claro, mas vai tendo a sua própria iniciação na socialização à medida que vai fortalecendo laços com os seus pares.

Cabe aos pais a tarefa de seguirem o seu filhote a uma distância que lhe permita desenvolver a autonomia e a firmeza de carácter, mas sempre prontos para o aconselharem e, porque não?, ampararem as quedas.

Um abraço.

rutebruno disse...

bravo, alécia!
um abraço

Amélia disse...

Beguinha, terás de certeza outras histórias, com sentimento de pertença!
Uma vez no colégio do Benjamim disseram-me assim:
"Ai, se as mães e pais vissem (com a mão a acompanhar um gesto de dedos juntinhos) o que les fazem por aqui o dia todo! O que perdem..."
O meu coração ficou ainda mais apertado pelo facto de a Sr.ª dizer isto com uma lágrima no olho!.
Está bem entregue! Pensei.
Beijinhos.

ronoel disse...

Muito bonita a tua história, mas de facto faz parte de vida haver pedaços deles que não crescem ao pé de nós.

Mas que disparate estarem a discutir questões linguísticas num blog tão bonito. Sinceramente...

Joana disse...

Caro(a) Ronoel,

se, para si, as questões linguisticas não são, em si mesmas, um pedaço da beleza daquilo que todos somos enquanto falantes, então com certeza o disparate é todo meu. Peço desculpa.

Horas Vagas disse...

Receio que me vá acontecer o mesmo. Mas não os temos debaixo de olho 24h. :-(
Deviam guardar esses momentos doces quando estivessemos por perto. Não era?

Jessica disse...

Andreia,
Recordo com saudade os tempos em que vivíamos juntas, bons momentos em que partilhamos muitas história que na grande maioria das vezes resultavam em grandes momentos de gargalhadas!
Até me recordo de um episódio passado na nossa salinha em que eu olhei para o teu telemóvel e perguntei “és tu?” e tu com um ar muito surpreendida respondes “Jessica é um macaco!”.
Pois é, tenho saudades dos tempo em que chegavas a casa e contavas como tinha corrido o teu dia o e do tiaguito!
Hoje mesmo estando longe fisicamente, penso em vocês regularmente, em como o tiaguito deve estar crescido mas, no entanto, mesmo longe através do teu blog continuo a ter noticias vossas!
É bom saber, que mesmo daqui posso continuar a seguir a tua vida e a do teu filhote!!!
Beijinhos da amiga Jessica

ana disse...

que bonito! (adoro sempre ler as tuas palavras... enchem-me de sentimentos positivos!)

sombr|A|rredia disse...

...são frames cinematográficos os teus post :)
...
beijos**

Anónimo disse...

best regards, nice info » » »

Anónimo disse...

Keep up the good work » »

Anónimo disse...

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