Gosto de segredos.
Não gosto de portas entreabertas, gavetas mal fechadas, tapetes engelhados, quadros tortos na parede, molduras inclinadas em cima dos móveis, cadeiras afastadas da mesa, ...
12 fevereiro 2011
11 fevereiro 2011
Desejos
Não foi há muitos anos que ouvi algures essa história que se podem pedir desejos na primeira vez que se come um fruto, em cada ano. Os frutos, como quase tudo, já não têm bem épocas próprias ou tempos definidos para nascerem e morrerem, mas há sabores que só fazem sentido em certos meses do ano... insisto eu.
Esta semana acabou com chuva. Houve até trovoada, som que não ouvia há muito tempo, e os morangos no supermercado surgiram desfasados do estado climatérico de uma sexta-feira como esta. Fiquei a olhar para eles tão grandes e perfeitos, vermelhos e definidos, impecavelmente embalados e com um preço a ignorar. Foi então que me lembrei da história dos desejos e os pus no cesto, entre as porcarias que compro para estes fins de semana só comigo, com a casa em silêncio total, a televisão ligada mas calada, os cobertores no sofá, o computador no colo e sucessivas refeições de comida pré-feita e crepes com chocolate prontos em 3 minutos no micro-ondas.
Entre a fila para pagar, as compras no tapete rolante, os "pip's" sucessivos da rapariga da caixa, as coisas no saco plástico e o caminho para o carro, fui sempre a repetir para mim se devia mesmo ter comprado os morangos: "Ainda nem é primavera", "De certeza que não sabem a nada", "Caros... muito caros...".
Nem todas as sextas-feiras como esta são assim: tão caladas e tão vazias. Com tantas perguntas dentro de outras perguntas. Às vezes o silêncio sabe melhor. Às vezes isto tudo consegue ter mais sentido. Porque nem todas as sextas-feiras aparecem morangos no supermercado. Nem todas as sextas-feiras eu trago para casa um fruto novo para pedir um desejo enquanto lhe lembro o sabor, desde a estação do ano passado.
E, surpreendentemente, nem todas as sextas-feiras fico a olhar para uma embalagem de morangos grandes, perfeitos, vermelhos, embalados, caros, muito caros, pousados no balcão da minha cozinha e lhes pergunto: "E agora, que desejo peço eu?".
08 fevereiro 2011
Se eu fosse...
uma cena de uma série da tv
07 fevereiro 2011
As perguntas que ele faz
(mas muitas vezes) #11
A pergunta:
Mãe,
achas que uma pessoa pode correr até ao fim do mundo?
A exclamação:
Não há fim do mundo, Tigy.
A certeza:
Há há, Mãe.
Sabes quando a água do rio vai a correr e cai?
O resumo:
Uma cascata?
A conclusão:
Sim sim... isso.
Aí é o fim do mundo.
Mãe,
achas que uma pessoa pode correr até ao fim do mundo?
A exclamação:
Não há fim do mundo, Tigy.
A certeza:
Há há, Mãe.
Sabes quando a água do rio vai a correr e cai?
O resumo:
Uma cascata?
A conclusão:
Sim sim... isso.
Aí é o fim do mundo.
06 fevereiro 2011
Foi então
que num acto ato convicto, consciente e peremptório perentório, este blogue adoptou adotou o acordo ortográfico.
05 fevereiro 2011
Eu hoje respondo assim*
Qual é a tua palavra favorita e aquela que menos gostas. Porquê?
Há uma palavra que gosto, particularmente: des-lum-bra-men-to. É uma palavra comprida e enrolada, com uma grande dose de emoção, é uma palavra escondida, com duplos significados, daquelas que não mostra à primeira entoação se diz toda a verdade ou toda a mentira. É uma palavra que digo poucas vezes, para não lhe gastar o sentido, e escrevo ainda menos para não lhe quebrar o encanto. É a minha palavra preferida porque guardada, dentro das suas 14 letras e das suas 5 sílabas, fica uma história que se resumiria só com uma palavra assim.
Uma palavra que não gosto? Não gosto de "sucedido" mas também não gosto de "precedido", nem de "superado" ou "extasiado". Mas às vezes digo ou escrevo ou penso... as palavras têm esse poder.
*Há um fenómeno, a que chamam "bloqueio do escritor", que de vez em quando também chega aqui. Quero escrever e falta um tema ou um rastilho que desate as palavras e as faça correr. Dizem que o "bloqueio do escritor" pode ser motivado por cansaço, stress, insegurança, esgotamento criativo... Eu tenho outras explicações, mas encontrei nas perguntas mais originais o incentivo ideal para a perda temporária de habilidade para continuar a escrever, ultrapassando os lapsos da imaginação e da criatividade. Do sentir até.
Há uma palavra que gosto, particularmente: des-lum-bra-men-to. É uma palavra comprida e enrolada, com uma grande dose de emoção, é uma palavra escondida, com duplos significados, daquelas que não mostra à primeira entoação se diz toda a verdade ou toda a mentira. É uma palavra que digo poucas vezes, para não lhe gastar o sentido, e escrevo ainda menos para não lhe quebrar o encanto. É a minha palavra preferida porque guardada, dentro das suas 14 letras e das suas 5 sílabas, fica uma história que se resumiria só com uma palavra assim.
Uma palavra que não gosto? Não gosto de "sucedido" mas também não gosto de "precedido", nem de "superado" ou "extasiado". Mas às vezes digo ou escrevo ou penso... as palavras têm esse poder.
*Há um fenómeno, a que chamam "bloqueio do escritor", que de vez em quando também chega aqui. Quero escrever e falta um tema ou um rastilho que desate as palavras e as faça correr. Dizem que o "bloqueio do escritor" pode ser motivado por cansaço, stress, insegurança, esgotamento criativo... Eu tenho outras explicações, mas encontrei nas perguntas mais originais o incentivo ideal para a perda temporária de habilidade para continuar a escrever, ultrapassando os lapsos da imaginação e da criatividade. Do sentir até.
03 fevereiro 2011
02 fevereiro 2011
01 fevereiro 2011
As perguntas que ele faz
(mas muitas vezes) #10
A pergunta:
Mãe,
o que achas que é mais importante: o mundo ou os amigos?
A resposta hesitante:
Os amigos?!
A solução:
Não. Eu acho que não.
Amigos temos muitos, mundo é que não temos mais.
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