24 outubro 2008

De braços abertos

Ele diz "Gosto muito de ti"
e prolonga as vogais enquanto abre os braços.
Então, eu lembro-me de que ali,
entre os braços dele,
cabem todas as razões para viver
e apetece ser pequenina,
tão pequenina,
muito mais pequenina do que ele,
minúscula mesmo,
e fechar-me lá dentro,
junto ao seu peito,
entre os seus braços e os seus beijos,
entre as suas palavras com falta de sílabas e os sorrisos...
os sorrisos.
Assim, pequenina, quase invisível,
protegida entre o melhor de tudo
que é o melhor do mundo,
talvez eu o fizesse feliz.
Quase tanto como ele me faz a mim,
cada vez que repete
"Eu gosto muito da mãe"
e abre os braços,
e abre o sorriso
e me fecha o peito numa dor sem fim.


Ilustração - ZZVe.com

1 comentário:

nils disse...

Nunca tive oportunidade de te dizer como é bonito este teu texto... Andará a (ainda minha?) beguinha a pensar tornar-se poeta?