As coisas são o que são ou não são nada.
12 janeiro 2014
09 janeiro 2014
20 coisas que eu quero que o meu filho
saiba até ao Natal até ao final do ano sempre
#20
Usando a mais simples das metáforas: nem todos os dias são de sol. Mas, recorrendo ainda a uma frase batida, como apreciaríamos os dias de sol se não existissem dias de chuva?
O Tiago culpa sempre o próximo por aquilo que faz de menos certo e lhe custa assumir. Tem 8 anos! O imediatismo do dedo apontado ao do lado seduz qualquer um quando nos sentimos apertados, entre a espada e a parede, entre o medo e a vergonha. Esse plano de fuga toma, então, dimensões gigantes numa criança de 8 anos, resistente às desculpas mas perita em argumentos. Assim, é um cenário da rotina o Tiago apontar-me a mim como culpada dos mais diferentes azares ou contratempos que lhe acontecem a ele, só a ele, fruto do acaso ou de um ato seu, mal calculado.
Quando lhe ouço “a culpa é tua”, dirigido a mim, mesmo quando eu nem ocupava o mesmo espaço físico dele, lembro-me sempre de nós. Nós os adultos, os pais, os maiores, os profissionais, os grandes.
Vivo muito perto de culpas alheias no meu dia-a-dia, para além das que o meu filho me atribui. Vejo episódios desses frequentemente, nos mais distintos contextos, entre gente crescida, supostamente responsável. Assim, e talvez por isso, desculpabilize tanto a culpa que o Tiago vê em mim quando, por exemplo, deixa cair o pacote das bolachas no tapete ou perde um jogo na Xbox. Coloco tal reação ao mesmo nível do ridículo e desvalorizo, depois de lhe tentar ver que foi ele quem tocou no pacote e o fez cair ou que eu nem sei jogar aquele jogo. Ele ainda dirá coisas rebuscadas como eu ter passado e feito vento e daí o pacote ter caído ou, no segundo episódio, eu ter passado frente à televisão e ele assim não ter visto a bola e ter falhado a jogada.
Por outro lado, o poder que os atos dos outros têm no curso dos nossos dias é, muitas vezes, exageradamente empolado. Não só quando eles estão suficientemente próximos para ficarem com culpas nossas. Mas, especialmente, quando permanecem ali, à mão de semear, para justificar o que não somos capazes de conseguir sozinhos. Somos imensamente dependentes dos outros. Vemos tudo o que é nosso à medida do que pertence aos outros. A felicidade que temos ou não. Os bens materiais que temos ou que nos faltam. Os objetivos de vida que alcançamos ou falhamos. Os talentos que somos ou que almejamos.
Eu, que não sou muito de olhar para o lado, que não sobrevivo de comparações ou medições, tenho cada vez mais dificuldade em aceitar que a vida de cada um seja conduzida pela vida do outro do lado. Que os objetivos, as carências, as missões e as vivências de um se transformem em tudo isso porque copiadas de outrem. Que a fonte do que se deseja esteja no que outros querem para si.
Eu, que olho demais para dentro, acho que as culpas, as desculpas, os dias cinzentos, os percalços, começam e acabam em nós, agentes da nossa própria vida, donos e senhores do que desejamos. Só assim podemos, depois, reclamar o que conseguimos como nosso, justificar o alcançado como mérito próprio.
Temos de aprender a ficar com as culpas para, depois, merecermos as bênçãos.
Então, nos dias escuros, impossíveis de contornar, e nos pequenos contratempos, eu quero muito que o Tiago saiba assumir a culpa que tem. Para depois, tudo o que gosta e não gosta venha da cabeça dele e para que tudo o que alcance lhe pertença, por inteiro. Para que ele esteja preparado, no bem e no mal, a depender de si próprio, porque...
Usando a mais simples das metáforas: nem todos os dias são de sol. Mas, recorrendo ainda a uma frase batida, como apreciaríamos os dias de sol se não existissem dias de chuva?
O Tiago culpa sempre o próximo por aquilo que faz de menos certo e lhe custa assumir. Tem 8 anos! O imediatismo do dedo apontado ao do lado seduz qualquer um quando nos sentimos apertados, entre a espada e a parede, entre o medo e a vergonha. Esse plano de fuga toma, então, dimensões gigantes numa criança de 8 anos, resistente às desculpas mas perita em argumentos. Assim, é um cenário da rotina o Tiago apontar-me a mim como culpada dos mais diferentes azares ou contratempos que lhe acontecem a ele, só a ele, fruto do acaso ou de um ato seu, mal calculado.
Quando lhe ouço “a culpa é tua”, dirigido a mim, mesmo quando eu nem ocupava o mesmo espaço físico dele, lembro-me sempre de nós. Nós os adultos, os pais, os maiores, os profissionais, os grandes.
Vivo muito perto de culpas alheias no meu dia-a-dia, para além das que o meu filho me atribui. Vejo episódios desses frequentemente, nos mais distintos contextos, entre gente crescida, supostamente responsável. Assim, e talvez por isso, desculpabilize tanto a culpa que o Tiago vê em mim quando, por exemplo, deixa cair o pacote das bolachas no tapete ou perde um jogo na Xbox. Coloco tal reação ao mesmo nível do ridículo e desvalorizo, depois de lhe tentar ver que foi ele quem tocou no pacote e o fez cair ou que eu nem sei jogar aquele jogo. Ele ainda dirá coisas rebuscadas como eu ter passado e feito vento e daí o pacote ter caído ou, no segundo episódio, eu ter passado frente à televisão e ele assim não ter visto a bola e ter falhado a jogada.
Por outro lado, o poder que os atos dos outros têm no curso dos nossos dias é, muitas vezes, exageradamente empolado. Não só quando eles estão suficientemente próximos para ficarem com culpas nossas. Mas, especialmente, quando permanecem ali, à mão de semear, para justificar o que não somos capazes de conseguir sozinhos. Somos imensamente dependentes dos outros. Vemos tudo o que é nosso à medida do que pertence aos outros. A felicidade que temos ou não. Os bens materiais que temos ou que nos faltam. Os objetivos de vida que alcançamos ou falhamos. Os talentos que somos ou que almejamos.
Eu, que não sou muito de olhar para o lado, que não sobrevivo de comparações ou medições, tenho cada vez mais dificuldade em aceitar que a vida de cada um seja conduzida pela vida do outro do lado. Que os objetivos, as carências, as missões e as vivências de um se transformem em tudo isso porque copiadas de outrem. Que a fonte do que se deseja esteja no que outros querem para si.
Eu, que olho demais para dentro, acho que as culpas, as desculpas, os dias cinzentos, os percalços, começam e acabam em nós, agentes da nossa própria vida, donos e senhores do que desejamos. Só assim podemos, depois, reclamar o que conseguimos como nosso, justificar o alcançado como mérito próprio.
Temos de aprender a ficar com as culpas para, depois, merecermos as bênçãos.
Então, nos dias escuros, impossíveis de contornar, e nos pequenos contratempos, eu quero muito que o Tiago saiba assumir a culpa que tem. Para depois, tudo o que gosta e não gosta venha da cabeça dele e para que tudo o que alcance lhe pertença, por inteiro. Para que ele esteja preparado, no bem e no mal, a depender de si próprio, porque...
08 janeiro 2014
05 janeiro 2014
A guardar
"It's that thing when you're with someone, and you love them and they know it, and they love you and you know it... but it's a party... and you're both talking to other people, and you're laughing and shining... and you look across the room and catch each other's eyes... but - but not because you're possessive, or it's precisely sexual... but because... that is your person in this life. And it's funny and sad, but only because this life will end, and it's this secret world that exists right there in public, unnoticed, that no one else knows about. It's sort of like how they say that other dimensions exist all around us, but we don't have the ability to perceive them. That's - That's what I want out of a relationship. Or just life, I guess."
in Frances Ha
Puramente real. Um drama crú vestido de comédia.
02 janeiro 2014
De mim comigo
Gosto de rotinas. Quase tanto como gosto do inverno e de chuva, de estar um fim de semana inteiro sem sair de casa e arrumar gavetas e armários. Ou seja, de coisas que geralmente ninguém gosta.
Gosto de comida sem sal e de bolos com pouco açúcar. Gosto que o azul das calças seja igualzinho ao azul da camisola e das botas, do cachecol e da mala, da bracelete do relógio e das meias que nem se vêem.
Quando gosto de um livro leio todos do mesmo autor e quando uma música soa bem procuro todos os álbuns da mesma pessoa. Gosto do mesmo chocolate desde sempre e da mesma bebida desde o primeiro trago. E, no meio de tanta concordância, se há coisa que eu gosto mesmo é de não dar nada por garantido. A supremacia da instabilidade a dominar uma vida tão estável. É disso que eu gosto.
Gosto de comida sem sal e de bolos com pouco açúcar. Gosto que o azul das calças seja igualzinho ao azul da camisola e das botas, do cachecol e da mala, da bracelete do relógio e das meias que nem se vêem.
Quando gosto de um livro leio todos do mesmo autor e quando uma música soa bem procuro todos os álbuns da mesma pessoa. Gosto do mesmo chocolate desde sempre e da mesma bebida desde o primeiro trago. E, no meio de tanta concordância, se há coisa que eu gosto mesmo é de não dar nada por garantido. A supremacia da instabilidade a dominar uma vida tão estável. É disso que eu gosto.
30 dezembro 2013
2014!
Para 2014 tenho um único e grande desejo... mas 12 desafios que, nos próximos 12 meses, irei partilhar aqui quando conseguidos.
Porque
em 2014 vou:
quebrar um mau hábito
aprender uma nova habilidade
assemelhar-me mais a alguém que admiro
visitar um novo lugar
ler um livro há muito prometido
escrever uma carta há muito adiada
provar uma nova comida
ser melhor em qualquer coisa importante
acabar algo há muito começado
realizar um objetivo definido
destralhar
superar-me
Sintam-se desafiados comigo.
Porque
em 2014 vou:
quebrar um mau hábito
aprender uma nova habilidade
assemelhar-me mais a alguém que admiro
visitar um novo lugar
ler um livro há muito prometido
escrever uma carta há muito adiada
provar uma nova comida
ser melhor em qualquer coisa importante
acabar algo há muito começado
realizar um objetivo definido
destralhar
superar-me
Sintam-se desafiados comigo.
23 dezembro 2013
20 coisas que eu quero que o meu filho
saiba até ao Natal até ao final do ano sempre
#19
É muito mais fácil ser infeliz.
A infelicidade não faz sombra aos outros, não lhes faz cócegas nos pés ou nas ideias que têm dentro da cabeça, por poucas ou fracas que sejam, dominadas pela inveja ou pelo desânimo. É bem melhor lamentarmo-nos do que regozijarmo-nos.
É bem mais simples chamar alguém para repartir desilusões e mágoas do que para festejar. É bem mais natural que outros dividam tristezas connosco, se aproximem quando nem tudo corre bem, do que estarem sinceramente ao nosso lado no melhor que nos acontece. Apesar das aparências.
As pessoas chegam-se mais quando estamos imbuídos de infelicidade porque não a levam consigo, porque as ajuda até a darem valor à sua própria vida, ao bem que têm ou que negligenciam. A felicidade dos outros torna-os rancorosos ou nervosos, invejosos ou temerosos: “será que algum dia eu também serei feliz assim?”...
Enquanto a infelicidade não é contagiosa, não passa de mão em mão, entristecendo realmente olhares por onde passa; a felicidade é tudo isso e muito mais. Torna vidas pequeninas em vidas minúsculas, torna remorsos e dores alheias em rastilhos de sofrimento.
Falam muito mais de nós quando inclui “coitadinha” do que quando a frase tem “que bom!”. Até parece que a primeira expressão soa sempre mais sincera do que a segunda, que leva um nervoso miudinho de pequeninas raivas ou grandes invejas.
Sempre recusei a expressão de "os amigos são para as ocasiões". Por acaso sempre achei que a amizade não era coisa exclusiva de momentos maus ou de dificuldades. Sempre a senti transversal à própria vida. Com o tempo, com a idade, com as coisas dos momentos, comecei a ver a frase de outra perspetiva. Acho que há “amigos” que, estranhamente, são mais para as más ocasiões e que se eclipsam nas boas.
Então, o segredo, a difícil missão, o grande desafio, está em saber quem fica de um lado e quem colocamos no outro, quem conta para rir e para, depois, nos encostar no ombro e apertar o corpo. Distinguir bem quem sabe ser tão inteiro e tão verdade quando nos encontra a sofrer, para depois ser exatamente igual quando nos vê bem... tão bem.
Tenho a grande felicidade de conhecer bem as pessoas que tenho, como minhas, as que contam, as que já choraram comigo... chorando mesmo que não lhes tenha visto as lágrimas. São, precisamente as mesmas que, nos dias de hoje, enchem as palavras e os olhos para serem felizes comigo, para engrandecerem o bem que me sinto, para também elas ficarem bem pelo bem que tenho, para elas comigo, a meu lado, serem inteiramente, verdadeiramente, elas próprias. E sermos amigos nas ocasiões. Sejam elas quais forem.
Então, este Natal...
É muito mais fácil ser infeliz.
A infelicidade não faz sombra aos outros, não lhes faz cócegas nos pés ou nas ideias que têm dentro da cabeça, por poucas ou fracas que sejam, dominadas pela inveja ou pelo desânimo. É bem melhor lamentarmo-nos do que regozijarmo-nos.
É bem mais simples chamar alguém para repartir desilusões e mágoas do que para festejar. É bem mais natural que outros dividam tristezas connosco, se aproximem quando nem tudo corre bem, do que estarem sinceramente ao nosso lado no melhor que nos acontece. Apesar das aparências.
As pessoas chegam-se mais quando estamos imbuídos de infelicidade porque não a levam consigo, porque as ajuda até a darem valor à sua própria vida, ao bem que têm ou que negligenciam. A felicidade dos outros torna-os rancorosos ou nervosos, invejosos ou temerosos: “será que algum dia eu também serei feliz assim?”...
Enquanto a infelicidade não é contagiosa, não passa de mão em mão, entristecendo realmente olhares por onde passa; a felicidade é tudo isso e muito mais. Torna vidas pequeninas em vidas minúsculas, torna remorsos e dores alheias em rastilhos de sofrimento.
Falam muito mais de nós quando inclui “coitadinha” do que quando a frase tem “que bom!”. Até parece que a primeira expressão soa sempre mais sincera do que a segunda, que leva um nervoso miudinho de pequeninas raivas ou grandes invejas.
Sempre recusei a expressão de "os amigos são para as ocasiões". Por acaso sempre achei que a amizade não era coisa exclusiva de momentos maus ou de dificuldades. Sempre a senti transversal à própria vida. Com o tempo, com a idade, com as coisas dos momentos, comecei a ver a frase de outra perspetiva. Acho que há “amigos” que, estranhamente, são mais para as más ocasiões e que se eclipsam nas boas.
Então, o segredo, a difícil missão, o grande desafio, está em saber quem fica de um lado e quem colocamos no outro, quem conta para rir e para, depois, nos encostar no ombro e apertar o corpo. Distinguir bem quem sabe ser tão inteiro e tão verdade quando nos encontra a sofrer, para depois ser exatamente igual quando nos vê bem... tão bem.
Tenho a grande felicidade de conhecer bem as pessoas que tenho, como minhas, as que contam, as que já choraram comigo... chorando mesmo que não lhes tenha visto as lágrimas. São, precisamente as mesmas que, nos dias de hoje, enchem as palavras e os olhos para serem felizes comigo, para engrandecerem o bem que me sinto, para também elas ficarem bem pelo bem que tenho, para elas comigo, a meu lado, serem inteiramente, verdadeiramente, elas próprias. E sermos amigos nas ocasiões. Sejam elas quais forem.
Então, este Natal...
*Rodeia-te daqueles que te ajudam a ser quem és.
20 dezembro 2013
Saber de mim?
Há 20 dias já tinha as prendas de Natal compradas.
Há 12 dias fui ao teatro.
Há 8 dias comecei uma nova série.
Há 2 dias acabei este livro.
E hoje ouvi esta música.
Há 12 dias fui ao teatro.
Há 8 dias comecei uma nova série.
Há 2 dias acabei este livro.
E hoje ouvi esta música.
15 dezembro 2013
Fichas de Leitura
Quase-quase a fechar leituras de 2013, aqui fica o registo cronológico, para recordar, referenciar e recomendar.
Autor – Lídia Jorge
Ano de edição - 2011
Leitura em – Março/Maio 2013
Lídia Jorge é uma das minhas referências de leitura há dezenas de anos. Leio todos os livros, guardo um ou outro, mais antigo, para ler... sempre em breve. O ritmo de escrita, feito de um coro de vozes que nos acompanham, junto ao ouvido, é uma das marcas com nome próprio. Este livro, mais uma vez, deixa comigo personagens que parecem minhas, de gente que vive ao meu lado.
"Mas nada iria passar-se como eu imaginava. Ao lado da expectativa, a realidade criava o seu próprio programa, há muito que eu sabia que assim era. Também sabia que a parte que nos decepciona pode ser recompensada pela parte que nos surpreende."
Autor – Cândida Pinto
Ano de edição - 2011
Leitura em – Junho 2013
A figura de Snu há vários anos que me fascina. Li este livro em poucos fôlegos, fascinada por uma mulher forte e determinada, que se deixou vencer por um grande amor. Este é um daqueles livros que, enquanto se lê, se tem de partilhar com quem temos ao lado, relatando factos e trocando passagens, mostrando fotos e tirando dúvidas. Emocionou-me e espicaçou-me, ao falar também de um mundo que é muito o meu: a edição e os livros.
"E a cada esguicho de lama que saltava do charco agitado pela pedrada de um amor inconsentido, Francisco respondia: Tudo com ela. Nada sem ela. E foi assim até à morte. Morreram ambos na flor da paixão, enlaçados num abraço de chamas." (Palavras de Natália Correia)
Autor – Miguel Sousa Tavares
Ano de edição - 2013
Leitura em – Julho 2013
Não resisto a um novo livro de Miguel Sousa Tavares e daí ter lido este logo que surgiu nas livrarias. Começa bem... muito bem. Cheio de emoção e de algum mistério. Tem a escrita fluente do autor, lê-se com vício e curiosidade.
"Essa foi a primeira lição que aprendi: o pecado depende do sujeito, não do predicado."
Autor – Ana Zanatti
Ano de edição - 2013
Leitura em – Julho 2013
Foi a minha estreia com Ana Zanatti. E não será o primeiro e último livro a ler! Confissões de gente com histórias e memórias, com dramas e marcas, com questões e soluções. Uma conversa a várias vozes. Onde também há espaço para a nossa.
"De tanto silêncio, acabámos por dizer tudo. O silêncio é a melhor forma de dizer tudo sem gastar palavras."
Autor – Nuno Camarneiro
Ano de edição - 2013
Leitura em – Agosto 2013
Sempre complicado afirmar tal coisa, mas... arrisco dizer que foi o melhor livro que li em 2013. Primeira vez de Nuno Camarneiro nas minhas leituras e uma história feita das histórias de todos os habitantes de um prédio. O prédio que pode ser de qualquer um, em qualquer ponto do país, em qualquer ano que começa ou que acaba. Gostei mesmo muito. Mesmo.
"Somos todos uns sentimentais e por isso demoramos no que nos dói. Temos choro fácil que dá ou não dá em lágrimas, guardamos as dores cheias de pormenor enquanto as felicidades ficam por ali, confusas, com algumas caras, alguns sons, incertas e vagas. Lembramos os sapatos que calçávamos quando alguém morreu, a hora da notícia, o programa que passava nesse instante e até as vergonhas que pensámos. Folheemos as páginas do riso e pouco encontraremos, algumas frases, momentos caricatos, elementos de uma paisagem. Pouco e mal contado, estávamos distraídos, demasiado ocupados na felicidade para lhe fazermos o retrato. Somos tolos e sentimentais, temos arcas cheias de mágoas que não esquecemos e que abrimos a todo o momento para ver se ainda nos doem, e doem sempre. Descuramos o arquivo do bem que apesar de tudo nos vai acontecendo, somos tolos de lágrimas."
Autor – Kitty Fitzgerald
Ano de edição - 2008
Leitura em – Agosto/Setembro 2013
Este livro faz parte das minhas "wishlists" há muito tempo e, uma promoção de 2 ou 3 euros, fê-lo voltar comigo para casa e passar para o cimo da pilha de livros para ler. A história, profundamente dramática e negra, toca em feridas profundas de uma sociedade que marginaliza e rotula, quase sem regras.
"Explico-lhe como pensar no cérebro como se ele existisse dentro de uma grande sala, que tem muitos armários e prateleiras e caixas. E o trabalho é escolher uma caixa, ou prateleira, num lugar distante, e pôr aí todas as preocupações e lembranças. Depois cola-se uma etiqueta de memória nesse sítio, que é dos tempos passados, e que é só para ser aberto por motivos especiais."
Autor – Fernanda Serrano
Ano de edição - 2013
Leitura em – Setembro 2013
Li o livro em duas noites e ele nunca mais parou na minha estante. Tem andado de casa em casa, de pessoa em pessoa, de leitura em leitor. Tem tanto de duro como de positivo, tem tanto de emotivo como de feliz, que deve mesmo ser lido.
""Nada é mais importante do que o riso. A tragédia é a coisa mais ridícula que o homem tem, e tenho a certeza de que por mais que os animais sofram eles nunca exibem a sua dor em teatros abertos." São palavras dela (Frida Kahlo), mas podiam ser minhas. É exactamente assim que eu penso. É assim que vivo e foi assim que encarei a doença: sofri, sim, mas rejeitei expor as minhas feridas ao mundo. Não preciso disso. Acho que ninguém precisa."
Autor – Valter Hugo Mãe
Ano de edição - 2011
Leitura em – Setembro/Outubro 2013
Valter Hugo Mãe é para ser lido depuradamente, sorvendo cada capítulo ou cada palavra. Este livro é uma cruzada pela felicidade, por aquilo que é simples e eterno, que é nosso e para ficar. A paternidade e o amor desprendido ganha, nestas páginas, a sensibilidade do talento de um dos meus autores.
"Quem tem menos medo de sofrer, tem maiores possibilidades de ser feliz."
Autor – David Machado
Ano de edição - 2013
Leitura em – Outubro 2013
Conhecia David Machado de livros infantis mas aqui a sua escrita ganha nova dimensão. Daniel, a personagem principal, tem um plano de vida, mas as curvas e os contratempos acabam por vencer os objetivos ou, então, alterá-los. Uma história sobre a força que trazemos connosco e que colocamos, ao serviço da nossa felicidade, quando realmente é preciso. Os olhos têm dificuldade em seguir cada linha, querendo avançar tão rápido como as ideias e como as melhores vontades. Gostei muito!
"E, por causa de instantes como estes, o mundo encrava sucessivamente. As pessoas arrastam para todo o lado os seus protocolos pessoais apurados até ao limite do absurdo, os seus hábitos enraizados, as suas personalidades enviesadas, viciadas nas suas próprias lógicas, e ninguém está disposto a dar um passo ao lado, ceder espaço a outras formas de olhar as coisas para depois continuar em frente, mesmo quando a realidade o exige, mesmo quando não existem alternativas, as pessoas preferem ficar paradas só para não terem de dar esse passo ao lado. Imagina onde já podíamos estar. Imagina a humanidade a avançar, como uma onda, sem nunca esmorecer. Imagina."
Autor - Sándor Márai
Ano de edição - 2012
Leitura em – Novembro 2013
De Sándor Márai tinha lido o sobejamente aplaudido "As velas ardem até ao fim". "A ilha" é um relato obscuro e intrincado sobre a necessidade de um homem que, aos 50 anos, põe tudo em questão. Assim, procura na solidão o melhor cenário para repensar.
"Começou a compreender que a felicidade não se podia considerar uma propriedade privada que se adquire de um momento para o outro, como uma herança da qual, posteriormente, só é preciso cuidar e evitar que seja roubada ou perca o seu valor. Tinha que a descobrir em cada meia hora, em cada minuto; manifestava-se sem aviso e, em termos gerais, era mais cansativa e irritante do que agradável e tranquilizadora."
Autor – Lídia Jorge
Ano de edição - 2011
Leitura em – Março/Maio 2013
Lídia Jorge é uma das minhas referências de leitura há dezenas de anos. Leio todos os livros, guardo um ou outro, mais antigo, para ler... sempre em breve. O ritmo de escrita, feito de um coro de vozes que nos acompanham, junto ao ouvido, é uma das marcas com nome próprio. Este livro, mais uma vez, deixa comigo personagens que parecem minhas, de gente que vive ao meu lado.
"Mas nada iria passar-se como eu imaginava. Ao lado da expectativa, a realidade criava o seu próprio programa, há muito que eu sabia que assim era. Também sabia que a parte que nos decepciona pode ser recompensada pela parte que nos surpreende."
Autor – Cândida Pinto
Ano de edição - 2011
Leitura em – Junho 2013
A figura de Snu há vários anos que me fascina. Li este livro em poucos fôlegos, fascinada por uma mulher forte e determinada, que se deixou vencer por um grande amor. Este é um daqueles livros que, enquanto se lê, se tem de partilhar com quem temos ao lado, relatando factos e trocando passagens, mostrando fotos e tirando dúvidas. Emocionou-me e espicaçou-me, ao falar também de um mundo que é muito o meu: a edição e os livros.
"E a cada esguicho de lama que saltava do charco agitado pela pedrada de um amor inconsentido, Francisco respondia: Tudo com ela. Nada sem ela. E foi assim até à morte. Morreram ambos na flor da paixão, enlaçados num abraço de chamas." (Palavras de Natália Correia)
Autor – Miguel Sousa Tavares
Ano de edição - 2013
Leitura em – Julho 2013
Não resisto a um novo livro de Miguel Sousa Tavares e daí ter lido este logo que surgiu nas livrarias. Começa bem... muito bem. Cheio de emoção e de algum mistério. Tem a escrita fluente do autor, lê-se com vício e curiosidade.
"Essa foi a primeira lição que aprendi: o pecado depende do sujeito, não do predicado."
Autor – Ana Zanatti
Ano de edição - 2013
Leitura em – Julho 2013
Foi a minha estreia com Ana Zanatti. E não será o primeiro e último livro a ler! Confissões de gente com histórias e memórias, com dramas e marcas, com questões e soluções. Uma conversa a várias vozes. Onde também há espaço para a nossa.
"De tanto silêncio, acabámos por dizer tudo. O silêncio é a melhor forma de dizer tudo sem gastar palavras."
Autor – Nuno Camarneiro
Ano de edição - 2013
Leitura em – Agosto 2013
Sempre complicado afirmar tal coisa, mas... arrisco dizer que foi o melhor livro que li em 2013. Primeira vez de Nuno Camarneiro nas minhas leituras e uma história feita das histórias de todos os habitantes de um prédio. O prédio que pode ser de qualquer um, em qualquer ponto do país, em qualquer ano que começa ou que acaba. Gostei mesmo muito. Mesmo.
Autor – Kitty Fitzgerald
Ano de edição - 2008
Leitura em – Agosto/Setembro 2013
Este livro faz parte das minhas "wishlists" há muito tempo e, uma promoção de 2 ou 3 euros, fê-lo voltar comigo para casa e passar para o cimo da pilha de livros para ler. A história, profundamente dramática e negra, toca em feridas profundas de uma sociedade que marginaliza e rotula, quase sem regras.
"Explico-lhe como pensar no cérebro como se ele existisse dentro de uma grande sala, que tem muitos armários e prateleiras e caixas. E o trabalho é escolher uma caixa, ou prateleira, num lugar distante, e pôr aí todas as preocupações e lembranças. Depois cola-se uma etiqueta de memória nesse sítio, que é dos tempos passados, e que é só para ser aberto por motivos especiais."
Autor – Fernanda Serrano
Ano de edição - 2013
Leitura em – Setembro 2013
Li o livro em duas noites e ele nunca mais parou na minha estante. Tem andado de casa em casa, de pessoa em pessoa, de leitura em leitor. Tem tanto de duro como de positivo, tem tanto de emotivo como de feliz, que deve mesmo ser lido.
""Nada é mais importante do que o riso. A tragédia é a coisa mais ridícula que o homem tem, e tenho a certeza de que por mais que os animais sofram eles nunca exibem a sua dor em teatros abertos." São palavras dela (Frida Kahlo), mas podiam ser minhas. É exactamente assim que eu penso. É assim que vivo e foi assim que encarei a doença: sofri, sim, mas rejeitei expor as minhas feridas ao mundo. Não preciso disso. Acho que ninguém precisa."
Autor – Valter Hugo Mãe
Ano de edição - 2011
Leitura em – Setembro/Outubro 2013
Valter Hugo Mãe é para ser lido depuradamente, sorvendo cada capítulo ou cada palavra. Este livro é uma cruzada pela felicidade, por aquilo que é simples e eterno, que é nosso e para ficar. A paternidade e o amor desprendido ganha, nestas páginas, a sensibilidade do talento de um dos meus autores.
"Quem tem menos medo de sofrer, tem maiores possibilidades de ser feliz."
Autor – David Machado
Ano de edição - 2013
Leitura em – Outubro 2013
Conhecia David Machado de livros infantis mas aqui a sua escrita ganha nova dimensão. Daniel, a personagem principal, tem um plano de vida, mas as curvas e os contratempos acabam por vencer os objetivos ou, então, alterá-los. Uma história sobre a força que trazemos connosco e que colocamos, ao serviço da nossa felicidade, quando realmente é preciso. Os olhos têm dificuldade em seguir cada linha, querendo avançar tão rápido como as ideias e como as melhores vontades. Gostei muito!
"E, por causa de instantes como estes, o mundo encrava sucessivamente. As pessoas arrastam para todo o lado os seus protocolos pessoais apurados até ao limite do absurdo, os seus hábitos enraizados, as suas personalidades enviesadas, viciadas nas suas próprias lógicas, e ninguém está disposto a dar um passo ao lado, ceder espaço a outras formas de olhar as coisas para depois continuar em frente, mesmo quando a realidade o exige, mesmo quando não existem alternativas, as pessoas preferem ficar paradas só para não terem de dar esse passo ao lado. Imagina onde já podíamos estar. Imagina a humanidade a avançar, como uma onda, sem nunca esmorecer. Imagina."
Autor - Sándor Márai
Ano de edição - 2012
Leitura em – Novembro 2013
De Sándor Márai tinha lido o sobejamente aplaudido "As velas ardem até ao fim". "A ilha" é um relato obscuro e intrincado sobre a necessidade de um homem que, aos 50 anos, põe tudo em questão. Assim, procura na solidão o melhor cenário para repensar.
"Começou a compreender que a felicidade não se podia considerar uma propriedade privada que se adquire de um momento para o outro, como uma herança da qual, posteriormente, só é preciso cuidar e evitar que seja roubada ou perca o seu valor. Tinha que a descobrir em cada meia hora, em cada minuto; manifestava-se sem aviso e, em termos gerais, era mais cansativa e irritante do que agradável e tranquilizadora."
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