#5
15 dezembro 2012
13 dezembro 2012
20 coisas que eu quero que o meu filho saiba até ao Natal
#4
Há gente que fala de tudo, sobre tudo, que tem opinião sobre tudo e teorias sobre tudo, que são especialistas de tudo sem saberem afinal de grande coisa ou coisa nenhuma.
O que há mais é treinadores de bancada, críticos de sofá, leitores que abominam Saramago sem nunca terem lido um parágrafo escrito por ele. Falar sobre o que se sabe, sobre a capacidade que se tem, é uma virtude de poucos, quase tão rara nos dias que correm como cada um se sentar na cadeira que lhe pertence, sem pesar no colo de ninguém.
Porque não falamos do que sabemos? Porque não criticamos o que conhecemos? Porque não apontamos nos outros só aquilo que não fazemos? Porque não saber mais para, depois, fazer melhor?
Há gente que fala de tudo, sobre tudo, que tem opinião sobre tudo e teorias sobre tudo, que são especialistas de tudo sem saberem afinal de grande coisa ou coisa nenhuma.
O que há mais é treinadores de bancada, críticos de sofá, leitores que abominam Saramago sem nunca terem lido um parágrafo escrito por ele. Falar sobre o que se sabe, sobre a capacidade que se tem, é uma virtude de poucos, quase tão rara nos dias que correm como cada um se sentar na cadeira que lhe pertence, sem pesar no colo de ninguém.
Porque não falamos do que sabemos? Porque não criticamos o que conhecemos? Porque não apontamos nos outros só aquilo que não fazemos? Porque não saber mais para, depois, fazer melhor?
* Quanto mais sabes, melhor fazes.
11 dezembro 2012
20 coisas que eu quero que o meu filho saiba até ao Natal
#3
Sempre me lembro de mim a ler, com livros debaixo do braço, com livros no quarto, na mesa junto à cama, misturados na secretária com os manuais e os cadernos da escola. Sempre me lembro de mim a viver a minha vida projetada na vida das personagens dos livros, a querer algumas coisas delas e a querer que elas, às páginas tantas, também tivessem coisas minhas... Numa esquizofrenia própria de um tempo sem limites e sem impossíveis.
A minha rotina de mãe & filho contempla aqueles minutos em que o Tiago, já debaixo dos cobertores, ouve a história do dia, muitas vezes a mesma da noite anterior, escutada em silêncio como se fosse a primeira vez ou, então, capaz de suscitar a mesma dúvida no mesmo trecho da leitura do dia de antes.
O Tiago sabe que livros eu leio. Conhece-os pela capa, comenta a grossura da lombada, folheia-os muitas vezes, rouba o marcador e coloca na página errada. O Tiago vive os livros à maneira dele e eu vivo com ele aquilo que me pede para lhe ler.
Há poucos dias perguntou se lhe dava 5 euros. Questionei para que precisava do dinheiro e ele contou que queria comprar um livro na feira da escola. Explicou-me o que tinha gostado no livro e acrescentou que havia outro mais barato mas ele gostava era daquele. A falta que aqueles 5 euros me faziam, naquela semana em particular, desvaneceu-se nas noites seguintes, quando juntos lemos a história do Sr. Azulão, que vive debaixo da cama do João, a mesma cama que se vai enchendo de visitantes que viviam escondidos nas gavetas, no roupeiro e até atrás das cortinas do quarto, fazendo com que o João, naquela noite, até durma no chão com a cama dele cheia de amigos desconhecidos.
A história, inesperada para mim e para o Tiago, intrigou-o a ele pelos bichos esquisitos, de nomes engraçados, que o João descobria entre a tralha do seu próprio quarto.
A mim desafiou-me:
Recordando-me de mim, pequena, a descobrir personagens dos livros que lia escondidas comigo entre as estantes e as gavetas do quarto, como amigos íntimos, como cúmplices, como partes reais de uma realidade paralela.
Vendo-me agora, como Mãe, a contagiar o Tiago com o vício dos livros, a passar para ele a magia que têm as histórias e o poder que tem a leitura, a deixá-lo inebriado pelo mundo alternativo que somos capazes de alcançar apenas abrindo um livro.
Noite após noite, os livros têm, devagarinho, passado das minhas mãos para as mãos dele, alternando a minha voz com a dele - ele lê um pedaço e eu leio outro, ele vira uma página e eu viro outra... e, noite após noite, ler será cada vez mais uma coisa dele, para deixar de ser um hábito nosso.
E eu assisto, maravilhada, a tal transformação, apenas desejando que ele com os livros seja relação que permaneça, enquanto eu, Mãe-Leitora, vou lembrando o Tiago que:
* Rapazes que leem são atraentes
Sempre me lembro de mim a ler, com livros debaixo do braço, com livros no quarto, na mesa junto à cama, misturados na secretária com os manuais e os cadernos da escola. Sempre me lembro de mim a viver a minha vida projetada na vida das personagens dos livros, a querer algumas coisas delas e a querer que elas, às páginas tantas, também tivessem coisas minhas... Numa esquizofrenia própria de um tempo sem limites e sem impossíveis.
A minha rotina de mãe & filho contempla aqueles minutos em que o Tiago, já debaixo dos cobertores, ouve a história do dia, muitas vezes a mesma da noite anterior, escutada em silêncio como se fosse a primeira vez ou, então, capaz de suscitar a mesma dúvida no mesmo trecho da leitura do dia de antes.
O Tiago sabe que livros eu leio. Conhece-os pela capa, comenta a grossura da lombada, folheia-os muitas vezes, rouba o marcador e coloca na página errada. O Tiago vive os livros à maneira dele e eu vivo com ele aquilo que me pede para lhe ler.
Há poucos dias perguntou se lhe dava 5 euros. Questionei para que precisava do dinheiro e ele contou que queria comprar um livro na feira da escola. Explicou-me o que tinha gostado no livro e acrescentou que havia outro mais barato mas ele gostava era daquele. A falta que aqueles 5 euros me faziam, naquela semana em particular, desvaneceu-se nas noites seguintes, quando juntos lemos a história do Sr. Azulão, que vive debaixo da cama do João, a mesma cama que se vai enchendo de visitantes que viviam escondidos nas gavetas, no roupeiro e até atrás das cortinas do quarto, fazendo com que o João, naquela noite, até durma no chão com a cama dele cheia de amigos desconhecidos.
A história, inesperada para mim e para o Tiago, intrigou-o a ele pelos bichos esquisitos, de nomes engraçados, que o João descobria entre a tralha do seu próprio quarto.
A mim desafiou-me:
Recordando-me de mim, pequena, a descobrir personagens dos livros que lia escondidas comigo entre as estantes e as gavetas do quarto, como amigos íntimos, como cúmplices, como partes reais de uma realidade paralela.
Vendo-me agora, como Mãe, a contagiar o Tiago com o vício dos livros, a passar para ele a magia que têm as histórias e o poder que tem a leitura, a deixá-lo inebriado pelo mundo alternativo que somos capazes de alcançar apenas abrindo um livro.
Noite após noite, os livros têm, devagarinho, passado das minhas mãos para as mãos dele, alternando a minha voz com a dele - ele lê um pedaço e eu leio outro, ele vira uma página e eu viro outra... e, noite após noite, ler será cada vez mais uma coisa dele, para deixar de ser um hábito nosso.
E eu assisto, maravilhada, a tal transformação, apenas desejando que ele com os livros seja relação que permaneça, enquanto eu, Mãe-Leitora, vou lembrando o Tiago que:
* Rapazes que leem são atraentes
07 dezembro 2012
20 coisas que eu quero que o meu filho saiba até ao Natal
#2
CADERNETA DO ALUNO
DE Professora
PARA Encarregada de Educação
O Tiago continua a... O Tiago fez... O Tiago disse... Hoje o Tiago... O Tiago não... O Tiago bla bla bla...
Agradeço que fale com ele.
Tomei conhecimento.
A.R.
CADERNETA DO ALUNO
DE Professora
PARA Encarregada de Educação
O Tiago continua a... O Tiago fez... O Tiago disse... Hoje o Tiago... O Tiago não... O Tiago bla bla bla...
Agradeço que fale com ele.
Tomei conhecimento.
A.R.
* ´Fazer asneiras é normal. Aprende com elas.
06 dezembro 2012
20 coisas que eu quero que o meu filho saiba até ao Natal
#1
Quando me lembro de mim própria, enquanto criança, vejo uma menina fechada, tímida e sonhadora. De poucas falas e muito agarrada aos livros, ao computador, à televisão, às revistas, aos cadernos, às músicas e às ideias.
Sempre fui uma menina bem comportada. Bem comportada de mais, já me disseram desde então...
Ser mãe de um menino “pouco-bem-comportado”, que contesta tudo antes de aceitar, cuja resposta imediata a qualquer ordem é “não”, que tem tanto de teimoso como de ternurento, que tem tanto de divertido quanto a capacidade de “tirar-qualquer-um-do-sério”, é muitas vezes entendido como um teste divino à minha resistência - ou à minha paciência.
O Tiago tem-me ensinado a aceitar a diferença como nenhuma outra lição da vida. Porque a criança que eu fui tem muito pouco, ou quase nada, da criança que o Tiago é. Mas acredito sempre que ele é bem melhor por ser, para fora, tudo o que é, por dentro. Por, ao contrário da criança que fui, exteriorizar, resistir, defender-se acima de todos, fazer por si, duvidar antes de aceitar, pensar antes de repetir qualquer teoria, centrar atenções e marcar a sua diferença, para o bem e para o “menos-bem”.
Eu posso ter crescido, sofrido, mudado, voltado a crescer, a sofrer e a mudar, até me tornar quem sou hoje. O Tiago nasceu com uma maior capacidade para se defender e distinguir. Cabe-me a mim, entretanto, moldá-lo, ajudá-lo a retrair-se, ensiná-lo a também ele aceitar os outros na sua diferença. Não para que ele não cresça, não sofra e não mude. Mas sim para que ele passe por tudo isso sem deixar de ser quem é. Sem deixar de ser feliz.
Então, até ao Natal, há 20 coisas que eu quero que o meu filho saiba. Coisas que vou escrever e que lhe vou ler, diariamente. Começando por esta:
Quando me lembro de mim própria, enquanto criança, vejo uma menina fechada, tímida e sonhadora. De poucas falas e muito agarrada aos livros, ao computador, à televisão, às revistas, aos cadernos, às músicas e às ideias.
Sempre fui uma menina bem comportada. Bem comportada de mais, já me disseram desde então...
Ser mãe de um menino “pouco-bem-comportado”, que contesta tudo antes de aceitar, cuja resposta imediata a qualquer ordem é “não”, que tem tanto de teimoso como de ternurento, que tem tanto de divertido quanto a capacidade de “tirar-qualquer-um-do-sério”, é muitas vezes entendido como um teste divino à minha resistência - ou à minha paciência.
O Tiago tem-me ensinado a aceitar a diferença como nenhuma outra lição da vida. Porque a criança que eu fui tem muito pouco, ou quase nada, da criança que o Tiago é. Mas acredito sempre que ele é bem melhor por ser, para fora, tudo o que é, por dentro. Por, ao contrário da criança que fui, exteriorizar, resistir, defender-se acima de todos, fazer por si, duvidar antes de aceitar, pensar antes de repetir qualquer teoria, centrar atenções e marcar a sua diferença, para o bem e para o “menos-bem”.
Eu posso ter crescido, sofrido, mudado, voltado a crescer, a sofrer e a mudar, até me tornar quem sou hoje. O Tiago nasceu com uma maior capacidade para se defender e distinguir. Cabe-me a mim, entretanto, moldá-lo, ajudá-lo a retrair-se, ensiná-lo a também ele aceitar os outros na sua diferença. Não para que ele não cresça, não sofra e não mude. Mas sim para que ele passe por tudo isso sem deixar de ser quem é. Sem deixar de ser feliz.
Então, até ao Natal, há 20 coisas que eu quero que o meu filho saiba. Coisas que vou escrever e que lhe vou ler, diariamente. Começando por esta:
* Sê tu próprio
26 novembro 2012
Fado em Mim
Rendida ao Desfado
de Ana Moura
Sei muito bem o dia em que comecei a gostar de fado. Era verão e choveu. Ia de carro em trabalho, algures numa estrada de curvas e a música começou na rádio e encheu-se de sentidos. Dias a fio não a deixei, no pensamento. Guardando apenas as frases que a memória reteve. Qualquer coisa como
" a chuva ouviu e calou meu segredo à cidade".
Alguns dias depois, parei na primeira loja que encontrei no percurso trabalho-casa, ao final da tarde, e comprei o álbum. Aquele resto de dia, de calor abrasador e sem pingo de chuva na rua, passei-o deitada na cama a ouvir a faixa 3 do álbum "Fado em mim", de Mariza.
Decorei a letra entre
"as coisas vulgares que há na vida não deixam saudades"
e
"eis que ela bate no vidro trazendo a saudade",
mas demorei vários dias até deixar o disco correr do princípio até ao fim.
O fado para mim estava em cassetes com o rosto de Amália Rodrigues que o meu avô materno tinha no carro e que nós odiávamos ouvir durante os passeios de domingo.
O fado para mim começava ali. Naquele álbum, naquela voz, naquele
"fogo do amor sobre a chuva que há instantes morrera".
O fado a partir dali tornava-se um "fado em mim", para deixar que
"as lembranças que doem ou fazem sorrir"
tivessem uma banda sonora muito própria.
Daí para a frente, o fado multiplicou-se comigo. Foram chegando as vozes, foram-se desvendando os álbuns, foram aumentando as dores projetadas num sofrimento alheio, da viola ou da guitarra, do fadista ou do compositor.
Ouvido nos piores momentos o fado é coisa que magoa, que intensifica o mal que se rumina, que afunda o silêncio numa solidão demasiado negra. Nos meus dias de agora, voltar ao fado é desconstruí-lo. É roubar-lhe a dor, arrancar-lhe o xaile, guardar-lhe os receios e as dúvidas, esconder-lhe as mágoas e calar-lhe a fatalidade. É quase acender uma vela e iluminar-lhe o negro. É quase limpar-lhe o rosto e abrir-lhe os olhos. É quase ver nascer, ver crescer, um novo fado em mim.
Ilustração - Jessica Grundy
23 novembro 2012
13 novembro 2012
Conversas com ele
I
A passar pelo Palácio de Belém:
- Mãe, isto aqui também é uma escola?
- Não, isso é a casa do Presidente da República.
- Ah! Esse é aquele que nos rouba o dinheiro?
II
- Mãe, "puto" é uma asneira?
- Não. "Puto" não é uma asneira.
Minutos depois.
- Mãe, mas "puto" não é mesmo uma asneira, pois não?
- Não, Tiago. Não é.
- Mas "p**a" já é.
III
- Mãe, nem sabes o que aconteceu hoje na escola. Houve um menino que fez o dedo da asneira!
- O dedo da asneira?! A sério?
- Sim...
- Então e qual é o dedo da asneira?
- É este. - diz enquanto levanta o indicador.
IV
À saída da ótica de óculos novos na cara:
- Mãe, tens a certeza que os óculos novos são giros?
- São, Tiago. Ficas mais crescido e mesmo na moda!
- Ah... acho bem! É que a Mariana disse que se não gostasse dos óculos novos acabava tudo comigo.
A passar pelo Palácio de Belém:
- Mãe, isto aqui também é uma escola?
- Não, isso é a casa do Presidente da República.
- Ah! Esse é aquele que nos rouba o dinheiro?
II
- Mãe, "puto" é uma asneira?
- Não. "Puto" não é uma asneira.
Minutos depois.
- Mãe, mas "puto" não é mesmo uma asneira, pois não?
- Não, Tiago. Não é.
- Mas "p**a" já é.
III
- Mãe, nem sabes o que aconteceu hoje na escola. Houve um menino que fez o dedo da asneira!
- O dedo da asneira?! A sério?
- Sim...
- Então e qual é o dedo da asneira?
- É este. - diz enquanto levanta o indicador.
IV
À saída da ótica de óculos novos na cara:
- Mãe, tens a certeza que os óculos novos são giros?
- São, Tiago. Ficas mais crescido e mesmo na moda!
- Ah... acho bem! É que a Mariana disse que se não gostasse dos óculos novos acabava tudo comigo.
12 novembro 2012
A guardar
"Tal como há dois lado em cada história
há dois lados em cada pessoa.
Um que revelamos ao mundo
e outro que mantemos escondido cá dentro.
Uma dualidade regida pelo equilíbrio da luz e das trevas.
Dentro de cada um de nós
há a capacidade para o bem e para o mal.
Mas aqueles que conseguem esbater a linha moral divisória
detêm o verdadeiro poder."
in Revenge
Season 1 Episode 7
Puro entretenimento com gente bonita e uma história feia, de intrigas, invejas e vinganças.
Tal e qual como na vida real.
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