15 setembro 2012

30 dias de setembro #15

Dia 15 - As 3 canções que mais ouço nos dias de hoje

For you - Angus and Julia Stone


If you love me, with all of your heart.
If you love me, I'll make you a star in my universe.
you'll never have to go to work.
you'll spend everyday, shining your light my way.


Força estranha - Caetano Veloso


Eu vi muitos cabelos brancos na fonte do artista
o tempo não pára no entanto ele nunca envelhece.
Aquele que conhece o jogo, o jogo das coisas que são.
É o sol, é o tempo, é a estrada, é o pé e é o chão.


Cut the world - Antony and The Johnsons


But when will I turn and cut the world?
My eyes are coral, absorbing your dreams
My skin is a surface to push to extremes
My heart is a record of dangerous scenes

14 setembro 2012

30 dias de setembro #14




Dia 14 - Um dos meus textos preferidos do meu próprio blogue


Ele diz "Gosto muito de ti"
e prolonga as vogais enquanto abre os braços.
Então, eu lembro-me de que ali,
entre os braços dele,
cabem todas as razões para viver
e apetece ser pequenina,
tão pequenina,
muito mais pequenina do que ele,
minúscula mesmo,
e fechar-me lá dentro,
junto ao seu peito,
entre os seus braços e os seus beijos,
entre as suas palavras com falta de sílabas e os sorrisos...
os sorrisos.
Assim, pequenina, quase invisível,
protegida entre o melhor de tudo
que é o melhor do mundo,
talvez eu o fizesse feliz.
Quase tanto como ele me faz a mim,
cada vez que repete
"Eu gosto muito da mãe"
e abre os braços,
e abre o sorriso
e me fecha o peito numa dor sem fim.

(24 de outubro de 2008 )






13 setembro 2012

30 dias de setembro #13

Dia 13 - Um site viciante

Este

BOOK LOVING GIRLS

onde esta semana a escolha, o texto e as fotos são propriedade minha, pelo clique talentoso do fotógrafo Mário Pires.







Obrigada Mário pela oportunidade e parabéns pelos projetos.

12 setembro 2012

30 dias de setembro #12





Dia 12 - Como descobri a blogosfera e porque criei o blogue. O significado do nome

A memória já não me deixa dizer qual o primeiro blogue que visitei, mas lembro das primeiras pessoas a falarem-me nesta nova forma de escrever e publicar gratuitamente na internet.
A vontade de criar um espaço meu foi instantânea, mas foi fermentando... com o tempo.

Criei o blogue no final da gravidez, vendo-me com tempo, sozinha em casa, e cheia de coisas para contar. Reflexos de uma felicidade presente. Partilhas de emoções diárias e permanentes que se sabem irrepetíveis.

O blogue nasce, antes do Tiago, para contar aos outros – tantos deles que estão longe – o que se passa, mas especialmente para que ele, um dia, leia partes da sua própria história, vistas aos meus olhos, com as minhas palavras e naquele momento.
Com o tempo, as histórias do Tiago foram-se refletindo e confundindo com as minhas, aquelas que foram vividas antes dele, vistas por outro olhar meu quando era só filha. E também as histórias do dia a dia, o desenrolar dos anos, o relato dos acontecimentos.
Já expliquei por aqui que ao inventar um nome juntei a “felicidade” que vivia nesse tempo ao “refúgio” que era a minha barriga, naquele instante, para o Tiago. Mas coloquei o “s” do plural para dizer que quando a minha barriga voltasse ao tamanho natural, o Tiago chegasse ao mundo e a vida prosseguisse por vários caminhos, existiria sempre, por ali, um refúgio para a felicidade. Renovado, criado ou reinventado – mas existiria.

Ao longo destes 7 anos de Refúgios de Felicidade eu nem sempre estive abrigada na parte mais luminosa da vida, mas é isso que me faz hoje mais completa e mais certa. Uma pessoa melhor e uma mãe mais segura. Uma filha mais determinada e uma irmã mais cooperante. Uma mulher mais adulta e uma menina mais feliz.
Que um dia, neste endereço, o Tiago veja, leia e sinta tudo isso e, principalmente, saiba que ele é o protagonista desta história.

11 setembro 2012

30 dias de setembro #11

Dia 11 - 3 bens supérfluos, objetos de desejo, que adorava que fossem meus


Um maravilhoso computador a cheirar a fresco


A fabulosa da Bimby



Ou um simples vestidinho Elie Saab




:)

10 setembro 2012

Conversas com ele

À chegada a casa depois do seu primeiro dia de aulas do segundo ano, pergunto eu ao Tiago:
- Então portaste bem?
- Sim Mãe. Portei bem - respondeu afirmativamente
- A sério?
- Sim. Portei muito bem. - insiste cheio de convicção
- Então amanhã posso perguntar à professora?
- Ahhh... quer dizer, eu ACHO que portei bem.

30 dias de setembro #10

Dia 10 - A música que ouço quando estou triste ou entediada ou desanimada




"It's always darkest before the dawn"

08 setembro 2012

30 dias de setembro #8


Dia 08 - Uma memória que me marcou para sempre


Naquela hora de almoço, entre as aulas da manhã e as da tarde, eu procurava no recreio a amiga de sempre, a companheira de todos os intervalos de há vários anos. Era ali que nos encontrávamos, entre as aulas da turma dela e as aulas da minha turma. Era ali, naquele espaço de tempo que dividia o dia, que comparávamos as matérias que calhavam para os testes, o avançar das páginas dos manuais escolares, as notas que conseguíamos. Entre o almoço e o toque de entrada trocávamos histórias que aconteciam nas nossas salas com as colegas de cada uma. As diferenças e semelhanças entre eu e ela, entre a minha manhã e a manhã dela, entre a turma A e a turma B, entre os testes de uma e as notas de outra, ganhavam ali todo o contexto, todo o sentido. Aquela era a nossa realidade. A partilha a par e passo de duas vidas paralelas, a minha e a dela, que aconteciam em simultâneo em salas do mesmo corredor, com a porta lado a lado e igual paisagem para lá das janelas.

E então, naquela hora de almoço eu procurava-a. Íamos, como sempre, preencher o tempo com a nossa rotina, tinha novidades para lhe contar... bem, não eram bem novidades, eram as nossas coisas:  alguém que respondeu ao professor de forma torta, alguém que tropeçou ao entrar na sala, uma piada dita entre dentes na última aula da manhã... E tudo isso, que era o de sempre, tinha de ser contado já, partilhado, repartido, entregue ao destinatário. Como se não fizesse sentido ter acontecido se não fosse contado a ela. Mas já. Cumprindo o esquema diário. Fazendo o de sempre como se fosse unicamente o melhor de hoje.

E eu procurava-a. 
Enquanto na minha cabeça o relato se repetia, como se tentasse memorizar, palavra por palavra, o que lhe queria contar. Como se não pudesse ser dito de outra forma, com outras frases. Como se uns minutos deixassem escapar, da minha cabeça, algum detalhe importantíssimo ou até os factos completos.

Foi então que a vi. No meio do recreio. Rodeada de gente da turma dela, que não era a minha, a falarem em coro com uma professora dela que não era minha. Trocavam argumentos e dúvidas sobre um trabalho dela, que não era meu, cuja data de entrega era tão curta, e nem era igual à minha. 

Dissipando-se o grupo. Afastando-se a professora. Resolvido o caso sem solução. Ela foi-se aproximando de mim, nos limites do grupo. Vinha contar-me o que se tinha passado. Começou a explicar... Mas eu travei-lhe o discurso: tinha andado à procura dela, aquela era a hora de almoço - o nosso tempo, já não dava para dizermos uma à outra tudo o que se guardava para aquele recreio. Ela tinha falhado e eu estava ofendida.

Passavam apenas uns 15 minutos daquela hora de almoço e eu não quis ouvir mais nada, não quis saber o que de tão importante motivara tal assalto à professora em pleno recreio. Eu não queria ouvir. Eu apenas queria mostrar a minha indignação pela falha da exclusividade, por a minha amiga - que era minha - ter roubado 15 minutos à nossa amizade por qualquer outro motivo de maior importância na vida dela, na turma dela, tudo coisas dela que não eram minhas.

Aquela hora de almoço foi há mais de 20 anos e lembro-a muitas vezes, como os quinze minutos que valeram a hora toda, como o episódio em que para mim nada nem ninguém valeria 15 minutos que eram meus, ignorando por completo a fronteira entre o que é a minha vida e o que é a vida do outro sem mim.
Lembro, aquela hora de almoço, à laia de lição para não diluir a minha vida na vida de ninguém, mas acima de tudo, para não esquecer que os outros não deixam de ser meus e de ser amigos por precisarem de 15 minutos deles... que não são meus.