31 agosto 2012

30 dias de setembro



Setembro é um dos meus meses preferidos do ano. Em parte porque tem aquele espírito de renovação, a imitar janeiro mas com mais sol, em que dá vontade de lançar desejos e concretizá-los. Depois, setembro guarda, ainda, a minha estação do ano de eleição, o outono, em que podemos escolher árvores de onde caiam folhas acastanhadas, avermelhadas ou amareladas, para, mais tarde, nascerem outras novas, jovens, verdes, tenras.

Os 30 dias de setembro começam amanhã e do 1 ao 30 vamos deixar aqui, diariamente, as respostas a este desafio. Num espírito de reunião de ideias e de lembranças, enquanto o "ano" até parece que recomeça.


Dia 01 - 10 factos sobre mim
Dia 02 - Uma imagem que me retrate na perfeição 
Dia 03 - 10 coisas que adoro
Dia 04 - 
O meu signo e como ele encaixa (ou não) na minha personalidade
Dia 05 - Uma imagem de um lugar especial onde já estive
Dia 06 - Uma personagem de ficção que nunca esquecerei
Dia 07 - Um retrato de alguém/algo que tem o maior impacto em mim
Dia 08 - Uma memória que me marcou para sempre
Dia 09 - O último livro que li
Dia 10 - A música que ouço quando estou triste ou entediada ou desanimada
Dia 11 - 3 bens supérfluos, objetos de desejo, que adorava que fossem meus
Dia 12 - Como descobri a blogosfera e porque criei o blogue. O significado do nome
Dia 13 - Um site viciante
Dia 14 - Um dos meus textos preferidos do meu próprio blogue
Dia 15 - As 3 canções que mais ouço nos dias de hoje
Dia 16 - Uma citação que me persegue sempre
Dia 17 - Algo que me deixa sem palavras
Dia 18 - Uma profissão que gostava de ter tido
Dia 19 - Algo que gostava de saber ou aprender
Dia 20 - Uma imagem que retrate o meu futuro
Dia 21 - 10 coisas que não gosto muito
Dia 22 - 3 coisas de que tenho saudades
Dia 23 - 3 filmes que me marcaram para sempre
Dia 24 - Como gostaria de estar daqui a 10 anos
Dia 25 - 3 viagens de sonho
Dia 26 - Os meus 3 maiores vícios
Dia 27 - 3 séries de tv pelas quais sou completamente viciada
Dia 28 - 3 celebridades que me fascinam
Dia 29 - Uma imagem do que me faz feliz
Dia 30 - O que aprendi este mês

01 agosto 2012

09 julho 2012

Conversas com ele

Deitado na cama, depois das duas histórias da praxe e os vários beijos e abracinhos, o Tiago fala comigo do quarto para a sala, vencendo o sono, numa atitude típica de um domingo à noite:

- Mããeee, quero ir fazer xixi!
- Vai Tiago. E depois deita-te que já passa da hora de dormir.

Alguns minutos depois.

- Mããeee, quero água.

Sem responder, pego no copo e levo-o até ao quarto onde ele bebe a água num só trago.

Alguns minutos depois.

- Mããeee, posso ir ao teu quarto ver as horas?
- Tiago! Já é muito tarde! Amanhã tens escola!

E ouço os passos dele no soalho.

Alguns minutos depois.

- Mããeee, tenho aqui uma borbulha.

Lá vou eu de "fenistil" na mão e toca a besuntar uma borbulha inexistente na perna, voltando ao sofá da sala.

Alguns minutos depois.

- Mããeee!

Completamente irritada grito:
- O que é Tiago?! DORME!
- O que é disléxico?

27 junho 2012

Há 3 coisas que...

odeio nas pessoas:

1. terem a mania que estão sempre um passo à frente dos outros
2. auto-elogiarem-se por tudo e por nada
3. auto-comiseração

19 junho 2012

Gosto Não Gosto

Gosto da rotina.
Não gosto de pessoas que dizem que não gostam da rotina (em vez de repetirem que não gostam da rotina que têm deviam era arranjar uma rotina nova de que gostem, não?).

14 junho 2012

Conversas com ele

I

Depois de eu ter dito mil vezes que aquelas duas bolachas eram as últimas que havia em casa, o Tiago pergunta enquanto mastiga a segunda:
- Tens mais?
Eu já irritada digo:
- Ó Tiago não há. O que é que eu te disse há bocado?
- Que gostas muito de mim?!


II

Um bicho-de-conta aparece no chão da sala. Instintivamente ponho o pé em cima, devagarinho, e ele enrola-se. Salta o Tiago do sofá:
- Mataste o bicho! Mataste o bicho!
Eu, aflita, invento uma resposta:
- Não matei nada Tiago. Ele enrolou-se mas está vivo.
Enquanto digo isto atiro com o bicho para a sanita:
- Onde é que o meteste, Mãe?
Ups! Segunda justificação inventada apressadamente:
- Mandei-o para a sanita porque estes bichos vivem lá em baixo nos canos...
O Tiago acende a luz da casa de banho e diz:
- É para ele ver o caminho.
Depois, vai à sanita, espreita lá para dentro e puxa a água, enquanto me explica:
- Assim ele chega lá mais rápido.

11 junho 2012

O privilégio de estar vivo



Durante muitos anos pensei que era uma privilegiada. Assumo.
Olhava para o lado e pensava: “Ainda bem que aquele/a não sou eu. Ainda bem que eu sou esta que sou, dentro da vida que tenho”.

Desde muito cedo que me aconteceram coisas muito boas, coisas pequenas e triviais mas que me enchiam de esperanças e de força. Concretizava sonhos, fazendo por eles e vendo-os acontecer. Parecia simples. Bastava querer. Ser capaz.
A minha pré-adolescência, adolescência e pós-adolescência (ou lá como chamam hoje a esses anos que dantes eram simplesmente os do “armário”) estão cheias de momentos únicos, de acontecimentos imprevisíveis e dignos de memórias saudosas. Muito do que sonhei aconteceu ali naquele tempo: a rádio, os primeiros artigos nos jornais, os ídolos ao telefone ou mão na mão, as cartas trocadas com a escritora de eleição, os concursos de escrita ganhos no primeiro lugar, as viagens, a estabilidade emocional, familiar, de amizade, de conforto até. Tudo direitinho e seguro. Sem golpes de sorte. Com tentativas, com riscos, com “e porque não experimentar?” e... acontecia.
Daí para o futuro tudo seria possível.

Cresci com a convicção de que escrever era o meu trunfo, deixei-o guardado comigo para fazer qualquer coisa com ele... mais tarde. Ouvi de muitos lados, de muitas vozes: “tu escreves bem” e isso, para mim, resolvia tudo. Tudo que seria: a profissão a escolher, as opções a tomar, a mais-valia perante outra qualquer pessoa.
E escrever foi mesmo resolvendo tudo. Ou quase tudo.
Porque veio um tempo em que a escrita era dos outros, em que a possibilidade de acontecer algo a partir do que escrevia era apenas rotina de trabalho, o dia a dia frente ao computador. Ou, então, refúgio de blogue pequeno feito de mim para os meus, de mim para o Tiago, do meu presente para o futuro dele.
Foi a travessia dos tempos da normalidade, ou da insignificância, em que se começa a olhar para o lado e a ver as galinhas das vizinhas bem mais gordas do que as minhas. Em que a felicidade é coisa de antes ou coisa dos outros. Em que “tentar?”, “para quê?”, “não vai resultar mesmo!”. Em que nos fechamos na ideia que o mundo começa e acaba numa decisão que se toma e que não deixam alterar. Em que não há espaço para se assumir, para nós mesmos, “afinal, não era bem isto...”.

Aos poucos, reaprendi a gostar de mim, a acreditar em mim, a saber de que matéria sou feita, a lembrar que os trunfos de antes podem ser os de agora. E, novamente, sem golpes de sorte, tudo recomeçou a acontecer.

Hoje,
há alguém que me diz para eu escrever uma história.
Hoje,
há convites para ideias que criei.
Hoje,
há mil possibilidades dentro da cabeça, que podem mesmo ser de verdade.
Hoje,
vivo dentro da história que nem nos maiores delírios da minha imaginação era tão perfeita.

Por tudo isso,
hoje volto a sentir-me uma privilegiada e até já dei por mim a olhar para o lado e pensar: “Ainda bem que aquele/a não sou eu. Ainda bem que eu sou esta que sou, dentro da vida que tenho”.

E ninguém imagina as saudades que eu tinha disto! E como o mereço. Descaradamente.



Ilustração - Ofra Amit