
À minha Mãe,
porque há coisas que não se agradecem
A palavra regresso sempre teve, para mim, um sabor açucarado. Da minha boca já saiu inúmeras vezes a frase: "Gosto muito de viajar, mas adoro regressar a casa." Agora, regressada ao trabalho, conheci o outro lado de uma mesma palavra, um lado mais cinzento, feito de um sabor mais azedo.
O fim de um tempo sem exemplo preencheu-se com alguns sustos e muitos imprevistos. Ao cabo de cinco meses, o Tigy adoeceu. Uma virose comum, diz a pediatra, composta de febre, diarreia e vómitos. Tudo misturado com constipação e dentes a nascer. Um estado que se estendeu aos restantes membros da família, eu incluída, e que agitou os meus últimos dias por casa. A algumas horas de um primeiro dia de trabalho, de um regresso, de uma obrigação, o veredicto de que não havia creche até passarem todos os sintomas, derrubou uma réstea de optimismo que pairava em mim, por causa do tal regresso.
Soube ali, naquele momento, que não sou tão forte como supõe a palavra "mãe", que não sou tão decidida como supõe a palavra "adulto", mas que sou suficientemente apoiada e acarinhada como supõe a palavra "filha". Obrigada à minha Mãe pela viagem madrugadora, pelos dias ao lado do Tigy e por ter tornado este meu regresso um pouco mais leve, um pouco mais condimentado.
A frase: "0 que não nos mata torna-nos mais fortes" traduz-se, aqui, numa semana complicada, que tornou a transição - entre dias cheios de tempo para dias com falta dele - mais tempestuosa, mas mostrou-me que daqui para a frente assim será: horas de trabalho, horas de regresso a casa, horas de Tigy, horas para os meus refúgios. Ou antes pedaços de horas para um pouco de tudo.
Recomposto, cheio da energia que tem e transborda, o Tigy é agora o meu melhor regresso, quando acaba o trabalho e começa a vida, quando se cumpre a obrigação e começa o prazer.
porque há coisas que não se agradecem
A palavra regresso sempre teve, para mim, um sabor açucarado. Da minha boca já saiu inúmeras vezes a frase: "Gosto muito de viajar, mas adoro regressar a casa." Agora, regressada ao trabalho, conheci o outro lado de uma mesma palavra, um lado mais cinzento, feito de um sabor mais azedo.
O fim de um tempo sem exemplo preencheu-se com alguns sustos e muitos imprevistos. Ao cabo de cinco meses, o Tigy adoeceu. Uma virose comum, diz a pediatra, composta de febre, diarreia e vómitos. Tudo misturado com constipação e dentes a nascer. Um estado que se estendeu aos restantes membros da família, eu incluída, e que agitou os meus últimos dias por casa. A algumas horas de um primeiro dia de trabalho, de um regresso, de uma obrigação, o veredicto de que não havia creche até passarem todos os sintomas, derrubou uma réstea de optimismo que pairava em mim, por causa do tal regresso.
Soube ali, naquele momento, que não sou tão forte como supõe a palavra "mãe", que não sou tão decidida como supõe a palavra "adulto", mas que sou suficientemente apoiada e acarinhada como supõe a palavra "filha". Obrigada à minha Mãe pela viagem madrugadora, pelos dias ao lado do Tigy e por ter tornado este meu regresso um pouco mais leve, um pouco mais condimentado.
A frase: "0 que não nos mata torna-nos mais fortes" traduz-se, aqui, numa semana complicada, que tornou a transição - entre dias cheios de tempo para dias com falta dele - mais tempestuosa, mas mostrou-me que daqui para a frente assim será: horas de trabalho, horas de regresso a casa, horas de Tigy, horas para os meus refúgios. Ou antes pedaços de horas para um pouco de tudo.
Recomposto, cheio da energia que tem e transborda, o Tigy é agora o meu melhor regresso, quando acaba o trabalho e começa a vida, quando se cumpre a obrigação e começa o prazer.







